Doutor em Direito pela UFMG e Analista Político

PSB nas eleições em Minas: protagonista ou coadjuvante?

Publicado em 08/05/2026 às 06:00.

Não obstante o prazo legal para definições das candidaturas ser de 20 de julho a 5 de agosto, o prazo político finda neste mês de maio para os partidos definirem seus nomes para as eleições majoritárias (governo e Senado), se quiserem ser competitivos.

Após este mês torna-se praticamente inviável o posicionamento no tabuleiro eleitoral com força na disputa. E é com essa premissa que as próximas duas semanas serão decisivas para definições na disputa ao governo de Minas.

Uma das definições mais aguardadas e analisadas com lupa é em relação ao PSB. O partido errou de forma absoluta nas eleições de 2018, quando tinha um forte pré-candidato, o ex-prefeito de BH Marcio Lacerda. 

Em resumo, o PT governava o Estado com Fernando Pimentel, em uma gestão com alta reprovação. Lacerda, que saiu da PBH com gestões bem avaliadas, com a inicial concordância da direção nacional do PSB colocou o pé na estrada na pré-campanha. O que não contava era com a iminente e bem sucedida articulação do PT de Minas junto a Lula e ao PT nacional junto à cúpula nacional do PSB para este “mudar de ideia”, não ter candidatura própria e coligar com o PT no inviável projeto de Pimentel para reeleição.

Assim sendo, a intervenção desastrosa ao PSB mineiro rifou Lacerda, que tinha enorme potencial nas eleições, prejudicou o campo da centro/ esquerda no Estado e proporcionou a eleição do então desconhecido Romeu Zema, opção encontrada pelo eleitor aos nomes de Pimentel e Anastasia. Ninguém pode afirmar que Lacerda seria eleito. Mas o processo eleitoral seria bem diferente!

Política e eleição não combinam com achismos e apegos ao poder desprezando a razão. Pesquisas e análises eram explícitas na inviabilidade da reeleição do PT. A sequência da história todos conhecem.

O momento político atual tem suas peculiaridades. Mateus Simões, um governador candidato à reeleição que patina nas pesquisas e descrito por Flávio Bolsonaro como o “que puxa pra baixo”. Cleitinho, líder nas pesquisas, vive o dilema de continuar na atividade do Senado como eficiente fiscalizador dos governos ou assumir o comando das finanças de um Estado que deve quase R$ 180 bilhões. Gabriel Azevedo, com grande disposição para a disputa, é um nome bem qualificado e capacitado, mas que no momento não foi abraçado de forma robusta pelo seu partido, o MDB, e suas lideranças Minas afora. Kalil, pelo PDT, parece demonstrar apetite pela disputa, pontua bem nas pesquisas, mas ainda uma incógnita de sua capacidade de agregar apoios expressivos e propor um plano de governo factível conforme os mineiros almejam para o Estado. 

E ainda a indefinição do forte PL do caminho a seguir, se lança ao governo Flávio Roscoe ou Medioli ou se compõe com estes na condição de vice a outro partido.

Quanto ao PSB, será que o partido errará de novo? O partido tem nomes qualificados e com forte potencial de competitividade. Instado por Lula e lideranças do campo político, Rodrigo Pacheco, principal opção e liderança posicionada, indicou que a definição está próxima e será tomada em atenção a aspectos pessoais. Jarbas Soares, ex-procurador Geral de Justiça, aliado e fiel escudeiro de Pacheco, tem transitado com desenvoltura e boa aceitação em ambientes políticos e eventos com movimentos sociais, mas tem em desfavor seu alto índice de desconhecimento. 

Tem ainda o PSB Josué Gomes, filho do saudoso ex-vice-presidente José Alencar. Não obstante não ter feito qualquer manifestação de alguma pretensão eleitoral, é outro nome a ser considerado.

O cavalo passa encilhado novamente ao PSB. Saberá aproveitar dessa vez?

Semana que vem mais uma rodada de conversas estratégicas em Brasília entre as direções estaduais e nacionais dos principais partidos no Estado, incluindo o PSB.

A acompanhar se teremos fumaças brancas das respectivas cúpulas!

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