Cenário político em Minas quanto à eleição para governador: esquerda à deriva e direita dividida. Com Pacheco praticamente fora da disputa, o PT “ficou a ver navios”.
Segundo o pesquisador Luís da Câmara Cascudo, a expressão “ficar a ver navios” vem de Portugal. “Dom Sebastião, rei de Portugal, morreu em batalha (1578) e seu corpo nunca foi encontrado. Sua morte causou uma grande crise sucessória. O trono ficou vago. Em consequência dessa crise, houve a anexação de Portugal à Espanha, de 1580 a 1640. O povo português sonhava com a volta do monarca; por isso, com frequência, visitava o Alto de Santa Catarina, em Lisboa, e ficava observando o mar, à espera do retorno de Dom Sebastião. Como o rei não voltou, o povo “ficou a ver navios”. E assim está Lula à espera do sim de Pacheco, cada vez mais distante.
Já no campo da direita é cristalina a falta de unidade e coesão, explicável por um único motivo. Muitos são alegados, mas ao fim e ao cabo, nada mais é do que disputa pelo poder e protagonismo de um forte campo ideológico no Estado, tendo Nikolas e Cleitinho em cena.
São duas personalidades da nova geração de políticos de direita com brutal presença e controle das mídias sociais. Cleitinho, senador de meio de mandato, com uma linguagem simples e fácil de ser absorvida pela população, transmite de forma aguerrida indignação comum a todos acerca de malfeitos (incompetência, corrupção, omissão, irresponsabilidade), seja no Legislativo, no Executivo ou no Judiciário. Tem facilidade de fazer com que o destinatário o enxergue como “um dos seus”.
Já Nikolas, outro fenômeno, utiliza as mídias sociais de forma mais articulada, com mensagens bem estruturadas e com raciocínio sequencial, cartesiano e cirúrgico, externalizadas muitas das vezes com falas mais irônicas e também facilmente absorvidas pelos destinatários. Detentor de grande carisma e facilidade para arrastar multidões, como o caso da recente caminhada entre Minas e Brasília. Pesquisas indicam que pode ter próximo de 2 milhões de votos nas eleições deste ano para deputado federal.
A união dos dois, com Nikolas apoiando Cleitinho em um projeto governamental, seria quase imbatível. Por que não estão unidos? Por que Nikolas deixou de lado Cleitinho, um pré-candidato ao governo líder absoluto nas pesquisas, para juntar fileiras a Mateus Simões, deficiente comunicador e com baixo carisma, que apesar da brutal exposição da máquina pública estadual patina nas pesquisas com menos de dois dígitos?
Sem muita chance de errar é que como Mateus assume o governo em 15 dias, com a saída de Zema, se ganhar a disputa em outubro será reeleito, e não poderá disputar em 2030, deixando o caminho livre para Nikolas disputar o governo do Estado. Já Cleitinho, se ganhar a disputa, poderá tentar a reeleição em 2030, atrapalhando os planos de Nikolas. “Elementar meu caro Watson”, já dizia Sherlock Holmes.
Assim sendo, com frequência Mateus está rodando o Estado com Nikolas, divulgando ações governamentais, dando ordem se serviço, liberando recursos para obras públicas, etc. Sempre com muito material das redes sociais.
O tempo e o findar das eleições mostrarão o resultado, as feridas, fissuras e as consequências dessa cisão. Ruim para o campo da direita e boa nova para a esquerda e o centro!