Doutor em Direito pela UFMG e Analista Político

Tema para eleições 26: em um ano, metade das empresas de Minas Gerais fechou as portas

Publicado em 17/04/2026 às 06:00.

Além dos temas da segurança pública e da saúde, na ordem do dia propostas dos candidatos ao governo de Minas em relação ao ambiente de negócios no Estado, com impactos diretos na economia e na geração de empregos.

Um dado preocupante foi divulgado recentemente. O empreendedorismo mineiro apresentou forte desaceleração em 2025, de acordo com dados do Portal de Inteligência do Sebrae. Os números indicam que mais da metade das empresas que existiam nos dois primeiros meses de 2025 já não existem mais no mesmo período de 2026.

Contabilizando a abertura e o fechamento das empresas de Minas Gerais, o saldo atual é 53% menor do que em janeiro e fevereiro do ano passado. De acordo com informações que vão até 28 de fevereiro deste ano, o Estado registra atualmente 23.421 negócios ativos, sendo que 98% deles são pequenas empresas. Já em 2025, o número era 50.217, com as PE representando 97,5%. Os números consideram a soma dos dois meses.

Mesmo com a redução significativa, o saldo ainda foi positivo no último levantamento. A Taxa de Crescimento, que representa o coeficiente de empresas abertas em relação às fechadas, foi de 14.9%. Mas até esse número também mostra que a evolução é mais lenta em 2026. No mesmo período de 2025, a taxa era de 28%.

Outro dado negativo e preocupante consta em estudo da Fiemg divulgado no final do ano passado. Minas Gerais fechou 940 micro e pequenas indústrias entre abril e junho de 2025. O resultado representa inversão em relação ao segundo trimestre de 2024, quando o Estado registrou saldo positivo de 488 estabelecimentos.​ 

No período, abriram 2.401 indústrias de micro e pequeno porte e fecharam 3.341 unidades. O fechamento de 1.148 micro indústrias foi decisivo para o saldo negativo, enquanto pequenas indústrias registraram acréscimo de 208 empresas.​

A região Central liderou o fechamento de empresas com saldo negativo de 448 unidades, concentrando 47,7% de todas as perdas do Estado. Zona da Mata e Vertentes perderam 136 estabelecimentos, Centro-Oeste e Sudoeste fecharam 100 e Rio Doce e Vale do Aço eliminaram 96.​

Apenas Noroeste e Alto Paranaíba apresentaram saldo positivo entre as nove regiões administrativas, com abertura líquida de 23 empresas. 

O fechamento de empresas resultou na eliminação de 1.972 postos de trabalho formais. A indústria da construção concentrou as perdas com fechamento de 2.647 vagas.​

Três setores criaram empregos: Serviços Industriais de Utilidade Pública (459 vagas), indústria de transformação (151) e extrativa (65). Na transformação, o segmento de produtos alimentícios criou 542 postos e o de produtos químicos gerou 252 vagas, compensando parcialmente as perdas em máquinas e equipamentos elétricos (-221) e minerais não metálicos (-166).​

Minas possui 76.128 micro e pequenas indústrias, que representam 97,6% dos estabelecimentos industriais do Estado e empregam 609.638 trabalhadores formais. Esses empregos correspondem a 45,3% do total de vínculos no setor industrial mineiro.​

O debate eleitoral para o governo de Minas não pode se resumir a temas ideológicos, pautas de costume e defesa e ataque do governo Lula. O eleitor mineiro precisa e merece saber propostas dos candidatos sobre temáticas de interesse direto dos mineiros, como ambiente de negócios e políticas de geração de emprego.

A conferir!

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