Doutor em Direito pela UFMG e Analista Político

União Brasil e as eleições 2026 em Minas: protagonista ou coadjuvante?

Publicado em 01/01/2026 às 06:00.

Os principais partidos políticos do país e com destacada representatividade em Minas já se movimentam com intensidade para as eleições no Estado em 2026. 

Importante dispor que o objetivo de todo partido é a busca do poder, e pelo menos em teoria, não como um fim, mas como meio para aplicar suas concepções programáticas em atenção ao interesse público e a melhoria da qualidade de vida da população.

Assim sendo, dois focos principais no radar das legendas no Estado, a saber: entrar competitivo nas eleições majoritárias (governador, vice e senador) e boas chapas parlamentares, principalmente à Câmara Federal, determinante no cálculo dos milionários fundos partidário e eleitoral.

Sobre o PT tratamos na coluna da semana passada. Até o momento, erro brutal estratégico do presidente Lula em não definir um nome competitivo do seu campo político na disputa ao governo. Graves consequências virão!

Cabe uma breve análise de outros 4 partidos relevantes no Brasil e em Minas, sobre como estão se posicionando no xadrez eleitoral no Estado. O PSD saiu na frente com a filiação do já declarado candidato ao governo e atual vice-governador Mateus Simões. Não obstante dificuldades talvez intransponíveis de subir nas pesquisas, mesmo com a forte exposição e a máquina governamental a seu favor, sua candidatura é um fator importante para seu partido para a montagem de chapas de deputados.

Quanto ao PL, não deverá ter candidato ao governo, mas seguramente terá fortes nomes ao Senado. E outro fator de destaque do partido é a reeleição do deputado federal Nikolas Ferreira, com potencial, segundo pesquisas, para 2 milhões de votos, puxando uma super bancada do PL.

O Republicanos tem até o momento o Senador Cleitinho como pré-candidato ao governo. Líder nas pesquisas e com grande alcance midiático, indubitavelmente chega forte na disputa caso a formalize, o que contribui também para fortalecer a chapa de candidatos proporcionais.

Como último partido a ser analisado, um paradoxo. O União Brasil destaca-se pela sua força e presença nacional, encabeçada pelo presidente do Senado Davi Alcolumbre, expressiva bancada federal de 59 deputados e governadores bem avaliados segundo pesquisas. Em Minas atuantes parlamentares e mais de 70 prefeituras, em destaque a capital BH, Betim e Montes Claros.

Mesmo estando em federação com o PP, outra destacada força partidária, o caminho a ser seguido pelas duas legendas no Estado estará a cargo das cúpulas nacional e estadual do União.

Não obstante seu potencial, o União até o momento não se posiciona no tabuleiro com protagonismo na disputa ao governo de Minas. Pela ausência de apetite e falta de construção de um nome competitivo, se posta como coadjuvante de algum nome de outro partido. Algo que compromete a formação de uma forte chapa de candidatos a deputado, indicando redução das bancadas federal e estadual em 2027.

Perdendo espaço para partidos como PSD, PL e Republicanos, no limite temporal a cúpula nacional do União foca Minas de forma mais estratégica. Conversas de bastidores sinalizam mudanças na direção do partido no Estado. A habilidade do deputado federal Rodrigo de Castro, mais identificado com o Centro Democrático, indica que caso assuma a presidência, juntamente com a experiência de nomes como o ex-deputado Bilac Pinto, articulem um nome competitivo ao governo do Estado que posicione o partido no tabuleiro de forma pujante e contribua para ao menos dobrar as bancadas federal e na ALMG, possibilitando o União em Minas se tornar o maior dentre os demais estados da federação.

E, por suposto, atentarão de forma assertiva para um nome aderente às pesquisas qualitativas, fora dos extremos e da polarização, que expresse experiência, responsabilidade, capacidade de diálogo, de agregar e de reposicionar Minas no cenário nacional.

Aguardemos as articulações no transcorrer de janeiro que definirão se o União estará no xadrez eleitoral em Minas, segundo colégio eleitoral do país, como protagonista ou mero coadjuvante de outra legenda.

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