Irlan MeloAdvogado, teólogo, professor universitário e vereador de BH eleito para seu segundo mandato como o 8° vereador mais votado de BH

Bandido não merece homenagem pública em BH

Publicado em 18/05/2026 às 06:00.


A Câmara Municipal de Belo Horizonte aprovou mais um projeto de minha autoria que considero fundamental para fortalecer os valores morais e institucionais da nossa cidade: a proibição da concessão de títulos, medalhas, homenagens e honrarias públicas a pessoas condenadas por crimes hediondos.

Pode parecer algo óbvio, mas infelizmente não é. Em diversos momentos da vida pública brasileira, vimos criminosos sendo exaltados, relativizados e até tratados como figuras dignas de reconhecimento oficial. Isso representa uma profunda inversão de valores e um grave desrespeito às vítimas, às famílias e à sociedade.

Uma honraria pública não é um simples protocolo burocrático. Ela representa admiração, reconhecimento e gratidão institucional. Quando o poder público entrega uma medalha ou um título honorífico, está dizendo à sociedade que aquela pessoa possui uma trajetória merecedora de exemplo. Por isso, não faz qualquer sentido permitir que indivíduos condenados por crimes hediondos recebam esse tipo de homenagem oficial.

Estamos falando de crimes extremamente graves, como homicídio qualificado, estupro, latrocínio, extorsão mediante sequestro e outros delitos que causam dor profunda às vítimas e deixam marcas irreparáveis na sociedade. Pessoas condenadas definitivamente por práticas dessa natureza não podem ser colocadas no mesmo patamar daqueles que verdadeiramente contribuíram para o bem comum.

O projeto aprovado estabelece exatamente esse limite moral. A vedação vale para condenações transitadas em julgado, ou seja, quando não há mais possibilidade de recurso na Justiça. Isso garante segurança jurídica e respeito ao devido processo legal.

Tenho defendido, ao longo do meu mandato, que o poder público precisa transmitir sinais claros à sociedade. Não podemos normalizar o crime, relativizar a violência ou permitir que símbolos institucionais sejam utilizados para legitimar pessoas que atentaram gravemente contra a vida, a dignidade e a segurança dos cidadãos.

Essa iniciativa também dialoga com outras propostas que apresentei na Câmara Municipal voltadas para a valorização da legalidade, da segurança pública e da proteção das famílias. Recentemente, Belo Horizonte também aprovou legislação impedindo homenagens a condenados pela Lei Maria da Penha e por crimes contra a dignidade sexual.

Vivemos um tempo em que muitos tentam enfraquecer referências morais e transformar criminosos em celebridades. Eu acredito no caminho oposto. Precisamos fortalecer exemplos positivos, reconhecer pessoas que servem à sociedade com honestidade e preservar o valor simbólico das homenagens públicas.

A Câmara de Belo Horizonte deu um recado importante com essa aprovação: honraria pública é para quem honra a sociedade, e não para quem a agride.

Seguirei trabalhando para que Belo Horizonte seja uma cidade que valorize a ética, respeite as vítimas e reafirme, todos os dias, que o crime jamais será tratado com admiração ou prestígio institucional.

Compartilhar
Ediminas S/A Jornal Hoje em Dia.© Copyright 2026Todos os direitos reservados.
Distribuído por
Publicado no
Desenvolvido por