Irlan MeloAdvogado, teólogo, professor universitário e vereador de BH eleito para seu segundo mandato como o 8° vereador mais votado de BH

Clésão: memória, justiça e a coragem de não esquecer

Publicado em 30/03/2026 às 06:00.


Na terça-feira, 24 de março de 2026, demos um passo importante na Câmara Municipal de Belo Horizonte. Foi aprovado na Comissão de Legislação e Justiça (CLJ) o projeto de lei que denomina a rua A4, no Conjunto Betânia, como Rua Clériston Pereira da Cunha. Uma homenagem que carrega muito mais do que um nome: carrega memória, posicionamento e, acima de tudo, um clamor por justiça.

Clésão se tornou símbolo de um dos períodos mais delicados da nossa democracia recente. Um homem sem antecedentes criminais, que sequer teve a oportunidade de ser julgado e condenado, mas que acabou perdendo a vida enquanto estava sob custódia do Estado. Sua morte não pode ser tratada como um detalhe ou estatística. Ela precisa ser lembrada, debatida e, sobretudo, jamais repetida.

Ao propor essa homenagem, não estou apenas reconhecendo uma história individual. Estou levantando um marco para que as futuras gerações se recordem do que acontece quando princípios fundamentais do Estado de Direito são relativizados. A rua que levará seu nome será um símbolo permanente de reflexão sobre liberdade, justiça e responsabilidade institucional.

Como já era esperado, alguns setores da esquerda têm se manifestado contra o projeto. Não é surpresa. Infelizmente, quando se trata de reconhecer a dignidade de pessoas comuns, de cidadãos de bem, que não tiveram sequer o direito pleno de defesa, há sempre resistência. Curiosamente, essa mesma resistência costuma desaparecer quando homenagens são direcionadas a figuras historicamente controversas, muitas vezes ligadas a regimes autoritários.

Seguimos, no entanto, com serenidade e convicção. Mais do que nunca, precisamos ter coragem para enfrentar narrativas e reafirmar valores. Não podemos permitir que histórias como a de Clésão sejam apagadas ou distorcidas. O Brasil precisa olhar para si mesmo com honestidade e compromisso com a verdade.

Continuaremos firmes. Firmes pela memória, pela justiça e pela liberdade. E também pela anistia ampla, geral e irrestrita daqueles que muitos consideram presos políticos dos atos de 8 de janeiro, incluindo o ex-presidente Jair Messias Bolsonaro.

Não vamos retroceder. A história está sendo escrita, e nós escolhemos de que lado estaremos.

Compartilhar
Ediminas S/A Jornal Hoje em Dia.© Copyright 2026Todos os direitos reservados.
Distribuído por
Publicado no
Desenvolvido por