
Nesta semana, a Câmara Municipal de Belo Horizonte deu um importante passo para preservar uma história que muitos gostariam de apagar. Foi aprovado o projeto que denomina a Rua A4, no bairro Betânia, como Rua Cleriston Pereira da Cunha, eternizando a memória de um brasileiro que, para mim e para milhões de pessoas, se tornou um símbolo de coragem, convicção e resistência.
Conhecido nacionalmente como Clezão, Cleriston Pereira da Cunha morreu enquanto estava sob custódia do Estado. Preso preventivamente em decorrência dos acontecimentos de 8 de janeiro, jamais recebeu uma condenação definitiva. Ainda assim, perdeu o bem mais precioso que um ser humano possui: a própria vida. Sua morte gerou comoção em todo o país e levantou questionamentos que continuam ecoando na consciência de muitos brasileiros.
Alguns setores da esquerda se posicionaram contra a homenagem. Não me surpreende. O mesmo grupo que frequentemente celebra personagens ligados a revoluções violentas, ditaduras e regimes autoritários parece incapaz de reconhecer a trajetória de um cidadão comum, pai de família, trabalhador e sem condenação transitada em julgado.
O curioso é que aqueles que hoje criticam a homenagem costumam defender a preservação da memória histórica quando ela favorece suas narrativas ideológicas. Quando a homenagem é destinada a alguém que representa valores conservadores, patrióticos ou alinhados à direita, a reação é completamente diferente.
A aprovação do projeto na Câmara demonstra que muitos vereadores compreenderam a importância desse gesto. Não se trata apenas de dar nome a uma rua. Trata-se de registrar para as futuras gerações que houve um período da história brasileira marcado por profundas divisões, tensões institucionais e debates sobre liberdade, justiça e garantias individuais.
Seguirei defendendo essa homenagem até sua conclusão definitiva. Faço isso por respeito à família de Clezão, por respeito à verdade como eu a compreendo e por respeito a todos os brasileiros que acreditam que a justiça deve servir ao cidadão, e não ao poder.
Que a futura Rua Cleriston Pereira da Cunha seja mais do que uma placa. Que ela se torne um lembrete permanente de que a liberdade exige vigilância e de que nenhuma nação prospera quando escolhe esquecer sua própria história.