Meus alunos não escondem a sensação de que aprenderam os conteúdos quando eu ilustro a aula com uma crônica policial. É por isso que, vez por outra, assim como nas minhas aulas, conto aqui um “causo” para inspirar os concurseiros que sonham em ingressar na Polícia.
E a antiga Cadeia Pública Federal do Acre foi palco de histórias inesquecíveis. Aquela instituição foi montada para recolher quase trinta policiais, muitos deles liderados por Hildebrando Pascoal, coronel da PM do Acre e ex-deputado federal. Ele foi condenado por, entre outras atrocidades, trucidar seus desafetos com motosserra.
Na década de 1990, a Polícia Federal assumiu aquela unidade carcerária, sugestivamente chamada de “Base Alcatraz”, numa referência à prisão de Alcatraz, nos Estados Unidos. E, numa das ocasiões em que lá estive, encerrei a missão com uma mensagem aos colegas que lá ficaram.
Então, para não fugir totalmente do tema principal desta coluna, farei um resumo da mensagem. E, para você que sonha em passar num concurso de carreira policial, sinta-se homenageado.
Considerando que passávamos meses e meses distantes da unidade de lotação, sem a convivência familiar, falei das três fases que vivenciávamos. A primeira delas era a euforia. Afinal, muitos policiais gostariam de participar daquela honrosa missão. Mas poucos eram os escolhidos.
Passadas algumas semanas, começava a segunda fase: a de provações. Só de pensar que nossos familiares estavam a três fusos-horários de distância... nem todos resistiam. Conheci casos de policiais que, mesmo sem terem o costume de usarem bebida alcoólica, acabaram abusando desse hábito.
A maioria, porém, passava sem dificuldades por essas provações. E vinha a terceira fase: a dos planos de regresso. É nesse ponto que começávamos a experimentar a indescritível sensação de dever cumprido. Ah - leitor ou leitora - eu te desejo sucesso nos concursos policiais para você entender essa sensação.
No caso do Acre, cuja Capital está a 200 Km da fronteira, é nessa terceira fase que nós íamos até a cidade boliviana de Cobija, onde há um incrementado comércio de produtos eletrônicos. É lá que as “muchachas” das lojas nos mostravam presentes para as pessoas que nos esperavam.
E voltávamos para casa. E nos deliciávamos com aquela sensação de dever cumprido. Então, para você que sonha em ser policial, desejo que esse texto lhe seja inspirador.