Claudio OlivaClaudio Oliva é jornalista especializado em turismo e hotelaria, pós-graduado em Turismo pela Universidade de Barcelona, presidiu a Associação Brasileira de Jornalistas de Turismo. Editor da Qual Viagem, colaborador em diversos portais de turismo, é também diretor Executivo da Assimptur Assessoria de Imprensa.

Os seis fatores que vão definir o futuro das viagens corporativas

Publicado em 13/08/2026 às 07:00.
Entre os fatores que impulsionam as viagens de negócios estão o crescimento da economia global e o aumento dos investimentos empresariais (Rob Wilson via Unsplash)
Entre os fatores que impulsionam as viagens de negócios estão o crescimento da economia global e o aumento dos investimentos empresariais (Rob Wilson via Unsplash)

Economia, investimentos, custos, conectividade, comércio internacional e geopolítica. Esses são os seis fatores que, segundo análise inédita apresentada pela Global Business Travel Association (GBTA) durante sua convenção anual, em Chicago, devem definir os rumos das viagens corporativas nos próximos anos. O estudo divide esses elementos entre impulsionadores do crescimento, fatores de dupla influência e riscos para o setor, oferecendo um novo panorama sobre os desafios e oportunidades do mercado.

Entre os fatores que impulsionam as viagens de negócios estão o crescimento da economia global e o aumento dos investimentos empresariais. Já custos das viagens, capacidade aérea, conectividade e incertezas comerciais aparecem como elementos de dupla influência, capazes tanto de estimular quanto de limitar o mercado. Os conflitos geopolíticos, por sua vez, são apontados como o principal fator de pressão sobre o setor.

Para Luiz Moura, conselheiro de Turismo da FecomercioSP e cofundador da agência de viagens corporativas VOLL, a classificação mostra uma mudança importante na forma de analisar as viagens corporativas. "O mais interessante dessa leitura é que ela mostra que nem todo desafio representa uma ameaça ao mercado. Custos mais altos, conectividade e até incertezas econômicas podem ser administrados e, em muitos casos, transformados em vantagem competitiva. O único fator que realmente foge ao controle das empresas é a geopolítica", analisa.

Segundo Moura, os dois fatores classificados pelo GBTA como impulsionadores reforçam que as viagens corporativas continuam diretamente ligadas ao crescimento da atividade econômica. "Quando as empresas investem, expandem operações, inauguram unidades ou desenvolvem novos mercados, as viagens acontecem naturalmente. A demanda continua sendo consequência do crescimento dos negócios", diz.

Já os fatores classificados como de dupla influência exigem uma postura diferente das organizações. Para o especialista, custos elevados ou mudanças na oferta de voos não precisam resultar, necessariamente, em redução das viagens. "É justamente nesse grupo que tecnologia e inteligência artificial passam a fazer diferença. Quanto maior a pressão sobre tarifas e disponibilidade, maior a importância de ferramentas que monitoram preços continuamente, identificam oportunidades de economia e ajudam as empresas a tomar decisões baseadas em dados", destaca.

Dados da VOLL reforçam esse movimento. Apenas no primeiro semestre de 2026, empresas que adotaram soluções de IA agêntica para geração de savings em viagens corporativas economizaram mais de R$ 60,5 milhões com monitoramento contínuo de tarifas e oportunidades de recompra.

Na avaliação de Moura, o terceiro grupo definido pelo GBTA merece atenção especial. Tensões geopolíticas podem afetar diretamente a conectividade aérea, elevar custos e provocar mudanças rápidas nas operações internacionais. "Esse é o único fator sobre o qual as empresas não têm controle. Por isso, quanto mais instável for o cenário internacional, mais importante será contar com uma gestão de viagens preparada para reagir rapidamente, oferecendo alternativas de rotas, suporte aos viajantes e inteligência para minimizar impactos", alerta.

Para o executivo, o mapa apresentado pelo GBTA indica que o crescimento das viagens corporativas continuará sendo sustentado pela economia e pelos investimentos, mas será cada vez mais condicionado à capacidade das empresas de responder aos fatores de dupla influência. "O futuro das viagens corporativas não depende apenas de viajar mais. Depende de transformar eficiência em vantagem competitiva. Quem conseguir usar tecnologia para reduzir custos e tomar melhores decisões estará mais preparado para crescer, independentemente das oscilações do mercado", conclui.

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