Manoel HyginoO autor é membro da Academia Mineira de Letras e escreve para o Hoje em Dia

A 'gripezinha' mortal

Publicado em 12/04/2023 às 06:00.

A desatenção pode ter resultado em desconhecimento de um fato dos mais importantes dos últimos anos, talvez de um período muito extenso de tempo. Em verdade, a pandemia que estigmatizou a vida de milhões de pessoas não é um registro simplesmente para o Brasil. Houve uma catástrofe que se estendeu por todos os países, ricos ou pobres, do ocidente ou do oriente.

Em março último, que já é passado, completaram-se três anos da primeira morte por Covid-19 entre nós, quando o Brasil alcançou a triste marca de 700 mil óbitos. O total consolida o Brasil como o segundo país em número de mortes pela pérfida enfermidade, apenas à frente os Estados Unidos.

Os jornais do dia 29 cá entre nós, compararam: é como se a população de uma capital inteira, como Aracaju, tivesse sumido do mapa pouco a pouco, nos últimos três anos. A traiçoeira história de vidas perdidas assinala também uma transformação no perfil  da mortalidade se comparado com outros períodos, inclusive com referência a pessoas com mais de oitenta anos e imunodeprimidas.

A Fundação Oswaldo Cruz, que monitora registros de síndromes respiratórias graves, incluindo a Covid-19, também aponta mortalidade até três vezes superior em pessoas não vacinadas comparativamente àquelas que receberam doses para imunização.

O ex-ministro da Saúde, Luiz Henrique Mandetta (de que sequer o nome é falado ultimamente), advertiu em tempo hábil para a necessidade da vacinação. Não foi ouvido, recebeu criticas, foi afastado da vida política nacional, e a consequência é a que ora vivenciamos com números indesejáveis. Tentativas de mudar a situação em tempo oportuno em nada resultaram.

Ou melhor: o resultado é este que ai está, para lágrimas e sofrimentos de milhares de famílias, enquanto ainda padecem com os desastrosos danos da enfermidade. E é bom que atentemos: a Covid-19 permanece ainda a nos causar muitos incômodos cá no Brasil, como em outras nações. A Organização Mundial de Saúde alerta: a doença não foi eliminada. Eliminados foram os 700 mil habitantes desta parte do planeta que acreditaram que se tratava de uma gripezinha corriqueira e passageira. Não era.

Tanto é verdade que há semanalmente dezenas de novos casos registrados nos mais de 8 milhões e quinhentos mil quilômetros do território. Eles não podem ser esquecidos e descuidados, mas advertidos da possibilidade de serem contaminados outros grupos. A vida é uma só.

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