Manoel HyginoO autor é membro da Academia Mineira de Letras e escreve para o Hoje em Dia

A morte cruel

Publicado em 28/03/2026 às 06:00.

É preciso acabar com esta louca ideia de matar mulheres no Brasil. Estamos no século XXI, e atitudes e posições desta ordem já deviam estar sepultados para sempre. Há poucos dias, a ministra Carmen Lúcia, do STF, minha conterrânea de Montes Claros, disse com clareza. Mulher e homem têm destinação de vida iguais ou semelhantes. Nenhum homem tem direito de praticar violência, inclusive de matar mulher.

Dados do Ministério da Justiça e Segurança Pública (MJSP) revelam que, somente em 2025, o Brasil ultrapassou mil vítimas de feminicídio. Os casos aumentaram 26% em 2024 e, de janeiro a setembro deste ano, cerca de 2,7 mil mulheres sofreram tentativa de feminicídio e 1.077 foram assassinadas – uma média de quatro mulheres mortas por dia. 

Em Minas Gerais, somente no primeiro semestre deste ano, foram registrados 78.697 casos de violência doméstica, além de 167 vítimas de feminicídio, sendo 72 mortes consumadas e 95 tentativas.

Cristovam Buarque, professor emérito da Universidade de Brasília e membro da Comissão Internacional da Unesco para o futuro da educação, é bastante objetivo também – é preciso acabar com a arrogância machista que assedia, molesta e violenta. 

Diz mais: “A vergonha do feminicídio precisa ser enfrentada com cadeia para os bandidos e desapropriação de todos os seus bens. A sociedade precisa garantir escola de qualidade e incluir conteúdo que ensine o respeito às meninas”.

Rafaela Lobo, mestre em análise do discurso pela UFMG, opina: “O que eu quero é que todas sejamos pontes para que o mundo seja menos cruel conosco, para que possamos viver em paz, com seguranças com direito de escolher nosso futuro”.

Andreia Donadon Leal, cuja trajetória em defesa da mulher conheço há anos, mestre em literatura e doutora em educação, mantém-se firme em seu desiderato. Escreveu: “Assassinam mulheres todos os dias, como se a vida feminina tivesse que ser arrancada para elevar o ego e a autoestima do homem. ‘Se não for minha, não vai ser de ninguém’. E daí, quantas Tainaras, Larissas, Elietes, Marias e tantas outras serão brutalmente assassinadas? Quantas medidas protetivas serão necessárias? Quantas medidas protetivas serão desobedecidas? Quantas mulheres serão encaminhadas para abrigos?”. Conclui o raciocínio: “Nós, mulheres, não queremos flores e bombons! Nós, mulheres, queremos viver com liberdade, sem medo de ir e vir, sem medo de voltar para casa, sem medo de sair para trabalhar, sem medo de finalizar um relacionamento ruim... Nós, mulheres, queremos viver! Parem de nos matar!".

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