A Sexta-Feira Santa caiu neste 2026 em 3 de abril. Para se compreender e sentir melhor a data, indicar-se-ia a leitura de livro de Joseph Ratzinger, Bento XVI, uma das grandes autoridades da Igreja Católica, em todos os tempos, narrando em mínimos detalhes a entrada de Jesus em Jerusalém naqueles dias até a Ressurreição. Há uma bela edição em nossa língua pela Planeta, em 2011, com tradução de Bruno Bastos Lins. Mas são quase 300 páginas.
Vamos tentar facilitar. Segundo a narração dos evangelistas, Jesus morreu rezando, à hora nona, isto é, às três da tarde da sexta-feira. Segundo Lucas, Jesus tirara sua última oração do Salmo 31: “Pai, em tuas mãos entrego o meu espírito”. Ainda segundo o evangelista João, as últimas palavras de Jesus foram: “Está consumado”.
Bento XVI observa: “Jesus cumpriu até ao fundo o ato de consagração, a entrega sacerdotal de si mesmo e do mundo a Deus. Assim nessa palavra, resplandece o grande mistério da cruz. Cumpriu-se a nova liturgia cósmica. Em lugar de todos os outros atos culturais, entra a cruz de Jesus como a única verdadeira glorificação de Deus, na qual Deus se glorifica a si mesmo por meio daquele em que Ele nos dá o seu amor e assim nos atrai rumo às alturas para si”. Naquele momento, o comandante do pelotão de execução comove-se com os fatos a que assistia, reconhece Jesus como filho de Deus: “Verdadeiramente, este homem era filho de Deus”.
O pontífice conclui o raciocínio: “Podemos vislumbrar também uma recordação dos inícios da história de Jesus, daquela hora em que o Baptista dissera: “Eis o Cordeiro de Deus, que tira o pecado do mundo”.