Manoel HyginoO autor é membro da Academia Mineira de Letras e escreve para o Hoje em Dia

A morte no Gólgota

Publicado em 01/04/2026 às 06:00.

A Sexta-Feira Santa caiu neste 2026 em 3 de abril. Para se compreender e sentir melhor a data, indicar-se-ia a leitura de livro de Joseph Ratzinger, Bento XVI, uma das grandes autoridades da Igreja Católica, em todos os tempos, narrando em mínimos detalhes a entrada de Jesus em Jerusalém naqueles dias até a Ressurreição. Há uma bela edição em nossa língua pela Planeta, em 2011, com tradução de Bruno Bastos Lins. Mas são quase 300 páginas.

Vamos tentar facilitar. Segundo a narração dos evangelistas, Jesus morreu rezando, à hora nona, isto é, às três da tarde da sexta-feira. Segundo Lucas, Jesus tirara sua última oração do Salmo 31: “Pai, em tuas mãos entrego o meu espírito”. Ainda segundo o evangelista João, as últimas palavras de Jesus foram: “Está consumado”.

Bento XVI observa: “Jesus cumpriu até ao fundo o ato de consagração, a entrega sacerdotal de si mesmo e do mundo a Deus. Assim nessa palavra, resplandece o grande mistério da cruz. Cumpriu-se a nova liturgia cósmica. Em lugar de todos os outros atos culturais, entra a cruz de Jesus como a única verdadeira glorificação de Deus, na qual Deus se glorifica a si mesmo por meio daquele em que Ele nos dá o seu amor e assim nos atrai rumo às alturas para si”. Naquele momento, o comandante do pelotão de execução comove-se com os fatos a que assistia, reconhece Jesus como filho de Deus: “Verdadeiramente, este homem era filho de Deus”.

Como intimidação, os romanos deixavam os crucificados dependurados na cruz mesmo depois de sua morte, pois deveriam ser removidos no mesmo dia. Era tarefa do pelotão declarar a morte e acelerá-la, cortando-lhes as pernas. Naquela tarde no Gólgota, os dois outros condenados, malfeitores ou bandidos, passaram por esse doloroso caminho. “Chegados a Jesus, porém, vêem que Ele já está morto; então renunciam a quebrar-lhe as pernas. Em vez disso, um deles transpassa o lado direito – o coração de Jesus e logo saiu sangue e água. É a hora em que são degolados os cordeiros pascais; para estes, vigora a prescrição segundo a qual não se lhes deve quebrar nenhum osso. Jesus aparece aqui como o verdadeiro Cordeiro Pascal, que é puro e perfeito.

O pontífice conclui o raciocínio: “Podemos vislumbrar também uma recordação dos inícios da história de Jesus, daquela hora em que o Baptista dissera: “Eis o Cordeiro de Deus, que tira o pecado do mundo”.

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