As estatísticas o revelam à suficiência. A mídia divulga numerosas vezes ao dia. Os políticos discursaram a respeito pelos meios disponíveis. Nos cultos e solenidades religiosas, o tema é exposto em termos as vezes patéticos.
Mas verdadeiramente o mundo passa fome e as perspectivas são terríveis. São muitos milhões de subnutridos em todos os continentes, mesmo nos chamados países ricos.
No Brasil, são 30 milhões de pessoas passando fome ou quase. A afirmação é reiterada em todos os lugares e diante de microfones, ou mesmo que eles não estejam disponíveis. Mas se vive em pobreza extrema em recantos desta terra de Canaã, em todos os estados, em barracos ou nas vias públicas.
O mal não tem solução? Os que podem não se dispõem a doar o mínimo que seja para aliviar a reclamação do sistema digestivo maltratado?
Dom Walmor, arcebispo metropolitano de Belo Horizonte e presidente da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil, alertou em artigo semanal na imprensa: “Vale muito, neste caminho do tempo da Quaresma, escutar uma sábia palavra de São João Crisóstomo, uma riqueza nos ensinamentos bimilenares da Igreja Católica. O Santo diz que muitos cristãos saem dos templos e contemplam fileiras de pobres sem se comover, como se vissem colunas e não seres humanos.
“Apertam o passo” como se vissem estátuas sem alma em lugar de homens que respiram. E, depois de tamanha desumanidade, se atrevem a levantar as mãos ao céu e pedir a Deus misericórdia e perdão pelos pecados. “Compreende-se o alcance e as implicações na acolhida do convite profético de rasgar o próprio coração, qualificando a competência de se investir na construção de uma sociedade justa e fraterna, passaporte para o Reino de Deus”.
Victor Hugo, que não era santo, disse a respeito: “A verdadeira felicidade consiste em dar, não em reter. Há de se pensar. Um antigo cântico do Baixo Nilo ensina que, quando Deus criou todas as coisas, ele criou o sol e este nasce, apaga-se para uma parte do universo, mas voltam. Há semelhanças com o homem”.
Há de ser cartesiano. Penso, logo existo. E não se sobrevive sem o pão cotidiano, sempre falta na mesa ou no prato dos menos afortunados. Estes crescem e serão mais milhões no final de um século que está apenas no segundo decênio.