Neste ameaçador tempo que atravessamos, em que até se admite a eclosão de conflito nuclear, chamaram-me a atenção duas notícias que dizem respeito à vida e à paz entre os humanos que ainda existem.
O primeiro dá notícia da produção 100% nacional do medicamento oncológico pembrolizumabe, já usado contra melanoma e que pode ter indicação ampliada para mama, pulmão, esôfago e colo do útero.
O anúncio da produção 100% nacional do medicamento oncológico, vendido com nome comercial de Keytruda, foi feito pelo ministro da Saúde, Alexandre Padilha, durante evento do governo federal no Rio de Janeiro.
Para produzi-los, o Ministério da Saúde firmou parceria com a farmacêutica internacional MSD para transferir a tecnologia ao Butantan. A instituição terá até 10 anos para adaptar a capacidade produtiva e atender à demanda nacional, com a meta de garantir autonomia na fabricação e reduzir a dependência do mercado externo. A expectativa também é de queda nos custos para o SUS.
O aumento da violência contra as mulheres, longe de ser um fenômeno recente, ganha novas dimensões na era digital e exige uma leitura que leve em conta o papel do discurso de ódio nas redes sociais. Sob essa perspectiva, a Academia com seu evento “Sábados Feministas” recebeu a socióloga pesquisadora nas áreas de gênero e misoginia, para a palestra “Violência contra as mulheres: misoginia e ódio nas redes sociais”.
Para Bruna Camilo, o enfrentamento da violência de gênero demanda, no cenário atual, uma atuação estratégica que integre educação, políticas públicas e letramento digital. Nessa perspectiva, a ampliação do debate sobre masculinidades torna-se fundamental, sobretudo no contexto escolar e nas formas de socialização mediadas pelas plataformas digitais.
“É essencial refletirmos sobre a relação entre masculinidade e educação, tanto em termos gerais quanto no ambiente digital — isto é, compreender de que maneira a formação dos jovens incide diretamente na perpetuação da violência contra meninas e mulheres”, ressalta.
Ao explicitar as conexões entre cultura digital, processos de formação subjetiva e práticas violentas, a pesquisadora alerta para a necessidade urgente de políticas que ultrapassem o enfrentamento dos efeitos imediatos e passem a intervir nos espaços onde o ódio é produzido, disseminado e naturalizado.