Manoel HyginoO autor é membro da Academia Mineira de Letras e escreve para o Hoje em Dia

Ainda a tuberculose pulmonar

Publicado em 05/05/2026 às 06:00.

Extensa e útil reportagem sobre tuberculose pulmonar, publicada em um diário da capital no dia 26 de abril, chama a atenção para um problema que já se supunha erradicado de nosso meio. O tema já servira, anteriormente, de comentário neste mesmo espaço. A fama do clima propício de Belo Horizonte, especialmente para o tratamento da tuberculose, atraía médicos e enfermos.

Fundada em 1899, a Santa Casa de Belo Horizonte teve a iniciativa de iniciar precocemente o combate à insidiosa enfermidade e, em 1910, inaugurou o Pavilhão Roberto Koch para internação, entregue ao médico Alfredo Balena. Posteriormente, surgiram o São Carlos e um terceiro pavilhão, que estimularam os médicos à criação de um estabelecimento de maior porte. Por sinal, Licurgo Santos Filho já anotava que, antes de os portugueses aqui desembarcarem, não havia tuberculose.

Muito se fez depois para evitar o contágio via medidas profiláticas. O especialista José Silvio Resende afirma que “a pneumologia é decorrência da tisiologia”. Até fins do século XX, inexistia a pneumologia.

Os brancos tiveram assim a responsabilidade pela chegada da TP (Tuberculose Pulmonar), Anchieta, que viera rapazinho, teve de tratar-se de tísica óssea, o Mal de Pott. Padres e índios morriam. O padre Manoel da Nóbrega, que acompanhou o governador Tomé de Souza, era tísico, com extensa expectoração com lesão pulmonar e frequentes hemoptises.

Belo Horizonte foi considerada muito própria a salvar inúmeros doentes, que vinham de todas as partes do país. Um deles foi o próprio Hugo Werneck, que já tentara curar-se na Suíça. Não funcionou.

Com um acúmulo de tuberculosos que chegava a ser alarmante, segundo Pedro Salles, da turma de JK na faculdade, ressurgiu o tratamento especializado. Os pioneiros foram os drs. Ari Ferreira, Alberto Cavalcanti, Mário Pires e Paulo de Souza Lima.

Das três clínicas iniciais da Santa Casa, nasceu e vingou a ideia de um hospital especializado. Construiu-se o Imaculada Conceição, considerado referência no tratamento da tuberculose, inaugurado em 1934, na gestão do provedor Jarbas Vidal Gomes, e que funcionou até 1974. Com 100 leitos, ali se iniciou a cirurgia torácica em Belo Horizonte. Muitas vidas foram salvas com a mudança no tratamento da tuberculose no país, de então até aqui.

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