Extensa e útil reportagem sobre tuberculose pulmonar, publicada em um diário da capital no dia 26 de abril, chama a atenção para um problema que já se supunha erradicado de nosso meio. O tema já servira, anteriormente, de comentário neste mesmo espaço. A fama do clima propício de Belo Horizonte, especialmente para o tratamento da tuberculose, atraía médicos e enfermos.
Fundada em 1899, a Santa Casa de Belo Horizonte teve a iniciativa de iniciar precocemente o combate à insidiosa enfermidade e, em 1910, inaugurou o Pavilhão Roberto Koch para internação, entregue ao médico Alfredo Balena. Posteriormente, surgiram o São Carlos e um terceiro pavilhão, que estimularam os médicos à criação de um estabelecimento de maior porte. Por sinal, Licurgo Santos Filho já anotava que, antes de os portugueses aqui desembarcarem, não havia tuberculose.
Muito se fez depois para evitar o contágio via medidas profiláticas. O especialista José Silvio Resende afirma que “a pneumologia é decorrência da tisiologia”. Até fins do século XX, inexistia a pneumologia.
Belo Horizonte foi considerada muito própria a salvar inúmeros doentes, que vinham de todas as partes do país. Um deles foi o próprio Hugo Werneck, que já tentara curar-se na Suíça. Não funcionou.
Com um acúmulo de tuberculosos que chegava a ser alarmante, segundo Pedro Salles, da turma de JK na faculdade, ressurgiu o tratamento especializado. Os pioneiros foram os drs. Ari Ferreira, Alberto Cavalcanti, Mário Pires e Paulo de Souza Lima.
Das três clínicas iniciais da Santa Casa, nasceu e vingou a ideia de um hospital especializado. Construiu-se o Imaculada Conceição, considerado referência no tratamento da tuberculose, inaugurado em 1934, na gestão do provedor Jarbas Vidal Gomes, e que funcionou até 1974. Com 100 leitos, ali se iniciou a cirurgia torácica em Belo Horizonte. Muitas vidas foram salvas com a mudança no tratamento da tuberculose no país, de então até aqui.