A visita do presidente da Argentina ao Brasil, há poucos dias a fim de participar dos atos para a escolha de um candidato à Presidência do Brasil nas eleições de 2026, revelou o estágio de intransigência nas relações entre os dois países. Pelo menos, de incompreensão entre os dirigentes das duas mais importantes potências do hemisfério.
Por séculos, Brasil e Argentina tiveram desavenças e desafios entre si que resultaram em situações inadequadas e negativas em suas relações. Houve questões fronteiriças e política, comerciais, diplomáticas, que conduziram a agravamento que não lhes interessa no futuro.
No entanto, o palavrório desnecessário e desrespeitoso registrado em São Paulo somente poderia avançar no sentido da ofensa pessoal como aconteceu, chegando a assustar os presentes e os que tomaram conhecimento das declarações publicadas pela imprensa.
Kicillof afirmou ainda que procurou o Itamaraty para marcar distância das declarações do presidente argentino. Disse que entrou em contato com o chanceler Mauro Vieira para transmitir que Milei “não representa os sentimentos do povo argentino”.
Para Kicillof, a escalada verbal pode afetar interesses econômicos da Argentina. “O Brasil é nosso principal parceiro comercial. Com essas provocações, Milei coloca investimentos, exportações, milhares de empregos e os interesses da Argentina em risco, tudo para apoiar um candidato a pedido de Trump. A relação com o Brasil merece responsabilidade, não provocações”.
Quem também não silenciou foi uma voz do interior político nacional. O ex-governador de Goiás Ronaldo Caiado, pré-candidato do PSD à Presidência da República, criticou as declarações de Javier Milei. “Uma eleição é decidida no seu país, é inadmissível ingerência de qualquer outro país na sua campanha eleitoral, até porque faz parte da liturgia de um presidente da República saber se ausentar das discussões de outros países”.