Não deixaria passar em branco o aniversário de Yeda Prates Bernis. Primeiro, porque é um dia único, não repetível. A data é uma vez só em cada ano do calendário. E este de Yeda em 15 de junho de 2026 é de centenário, reservado para os privilegiados, para aquele número reduzido de pessoas a quem Deus reserva a ventura. Há de considerar-se ademais que o aniversário, que os de língua espanhola preferem denominar cumpleaños, se destina a brindar aqueles que sabem usar o sublime bem da convivência, cada vez mais rara num tempo de intolerância e desamor, substantivos exuberantes no dicionário de Yeda.
Luciana Pimenta, professora da PUC Minas, pesquisadora e poeta, em artigo num de nossos periódicos, registra que Yeda Prates Bernis é o nome que assina uma das mais delicadas e vigorosas obras da poesia mineira. Nascida em Belo Horizonte, diplomada em Letras Neolatinas pela PUC Minas, elegeu-se em 2007 para a Academia Mineira de Letras, quando ocupou a cadeira de número 6 (seis).
A extrema produção poética de Yeda dá a dimensão e relevância do eixo literário e de artes. Onde e quando convocada, sempre disse sim, às iniciativas nesses dois campos do saber e sentir. O que nasceu de sua disponibilidade em tão nobres áreas, está expresso em livros que contém sua esplêndida produção. Ela e o que sentia e produzia integram sua rara inspiração em livros de incomum conteúdo e beleza editorial.
Luciana Pimenta se manifestou: “Yeda concretizou em sua obra o espaço literário que Blanchot (Maurice Blanchot - escritor literário francês) descreveu como “a outra noite”: “trabalhar para o dia é encontrar, no final, a noite. É fazer, então, da noite a obra do dia, fazer dela um trabalho, uma morada (...) abrir a noite à outra noite”. O trabalho de Yeda é mesmo um portal. Um portal para que a poesia possa chegar até nós, de múltiplas, perplexas e alquímicas formas”.
“Meu canto, diz muito quem é Yeda, por dentro e por fora, sempre e em qualquer lugar e hora. Está em seu livro “Entre a rosa e o azul”: “Canto, porque cantar é, para mim, como estar em estado de graça. Meu canto é prece humilde, terna e doce mensagem de meu mundo interior. Meu canto é simples, puro e cristalino, como o cantar de pássaros nas matas, como o cantar de fontes pequeninas. Meu destino é cantar. Assim, eu canto, porque cantar é, para mim, como estar em estado de graça porque nasci assim - pássaro e fonte”.