Manoel HyginoO autor é membro da Academia Mineira de Letras e escreve para o Hoje em Dia

E agora, fazer o quê...

Publicado em 07/12/2022 às 06:00.

Eu me pergunto: como se sentiriam o presidente Artur Bernardes e o imenso poeta Carlos Drummond de Andrade no momento histórico que Itabira e Minas ora atravessam diante da expressiva redução da produção de minério de ferro pela Companhia Vale do Rio Doce?

Não se ignora e não se pode esquecer que a empresa é responsável por grande parte da arrecadação de tributos nas terras da velha província e pela ocupação de milhares de brasileiros. 

Mas a situação agora é muito diferente da época do antigo presidente do estado e da nação. E a situação não é das mais confortáveis, a julgar pelos dados contidos nos relatórios oficiais. E não se poderá esquecer as informações por eles oferecidas. 

A primeira é que a produção de minério de ferro em Minas registra uma queda, até certo ponto esperada, mas sumamente grave para uma unidade da Federação que muito já sofre pelas novas demandas da população e por tantas outras que cabe ao poder público resolver. 

Nossa produção do minério revela um declive notável, pois chegou a 36,3% entre 2017 e 2021. Significa que de 194,9 milhões de toneladas baixou para 141,1 milhões, isto é, mostrando uma diminuição de 70,8 milhões. Isso, em resumo, equivale a todo o complexo Sudeste em 2021, que compreende a produção de Mariana, Itabira e Minas Centrais. 

São fatos e números dolorosos para a economia mineira, exatamente quando não se sabe o que nos reserva nossa economia. Consequentemente, milhares de pessoas perderão seus vínculos empregatícios com a Vale em Minas. Em números frios são 20 mil, evidentemente com suas famílias e as perspectivas de futuro promissor. 

É uma realidade que não se deveria esquecer, porque há décadas o minério era retirado e já sofria os efeitos da exploração. Para a Vale, nada de doer. Ela tem reservas em outros estados, a começar pelo Pará, que também oferece um produto de melhor qualidade que o nosso.
 Eis a hora de perguntar ao poeta maior: e, agora, José?

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