Manoel HyginoO autor é membro da Academia Mineira de Letras e escreve para o Hoje em Dia

E os doadores

Publicado em 07/10/2026 às 07:00.

Solidariedade é palavra sempre lembrada, mas nem sempre aplicada na prática. É o que se deduz de notícia publicada em Belo Horizonte pela maior filantrópica da capital.

Enquanto milhares de brasileiros aguardam por um órgão, quase metade das famílias entrevistadas diante da possibilidade de uma doação ainda diz não. Atualmente, mais de 49,5 mil pessoas estão na fila por um transplante de órgão no Brasil, segundo dados do Ministério da Saúde. A maior espera é por um rim: são aproximadamente 46 mil pacientes, além de cerca de 2,3 mil pessoas aguardando um fígado e mais de 500 à espera de um coração.  

Na Santa Casa BH, maior hospital transplantador de Minas Gerais, os números também revelam a dimensão da espera. Segundo a coordenadora do setor de Transplantes da instituição, Thaíla Alves, atualmente 571 pacientes estão inscritos nas filas para transplantes de rim, fígado ou coração. Além deles, 642 pessoas aguardam por um transplante de córnea, de acordo com a coordenadora administrativa do Ambulatório de Oftalmologia da Santa Casa BH. 

Os dados ganham ainda mais relevância neste mês, em que se celebra, no dia 27, o Dia Nacional da Doação de Órgãos. A recusa familiar é um dos principais obstáculos à ampliação dos transplantes no país. Segundo o Registro Brasileiro de Transplantes (RBT), da Associação Brasileira de Transplante de Órgãos (ABTO), em 2025 o Brasil registrou 15.940 notificações de potenciais doadores, mas apenas 4.335 se tornaram doadores efetivos. Das entrevistas realizadas com familiares, 4.200 terminaram em recusa. 

Em Minas Gerais, no mesmo período, foram 525 potenciais doadores notificados. Das 301 entrevistas realizadas com familiares, 121 terminaram em negativa, o equivalente a 40%.
 
Embora o país tenha aumentado o número de doadores efetivos, de 19,2 por milhão de habitantes em 2024 para 20,3 em 2025, o volume ainda não é suficiente para atender à demanda de pacientes que dependem de um novo órgão. 

No Brasil, manifestar em vida o desejo de ser doador não garante que a doação aconteça após a morte. A autorização cabe à família, após a confirmação da morte encefálica e a avaliação das condições para doação. Por isso, especialistas reforçam a importância de conversar previamente com os familiares sobre essa decisão. 

É justamente esse diálogo que a Santa Casa BH quis estimular com a campanha “Semeie a vida, cultive novos começos”, lançada durante o Setembro Verde.

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