Para Aylê- Selassié Filgueiras Quintão, jornalista, professor, escritor, já em Brasília após longo período de Redação, o cenário pós-eleitoral dá mostras de insustentabilidade. Será? Eis o que diz:
“A oposição tende a não ter sucesso na competição eleitoral, disputa que se estende até 3 de outubro. O próprio ‘bolsonarismo’, o contra polo do ‘lulismo’, tem dado a sua contribuição para fortalecer a candidatura à reeleição do atual Presidente. Para começar, ele não existe para a maioria dos eleitores. Jair Bolsonaro era no Congresso, enquanto deputado, um representante do ‘Baixo Clero’, sempre intempestivo e inconsequente. Está na prisão. Não parece ser pelo fato, aparente, de ter tentado um ‘golpe de Estado’. Seus arroubos podem até dar essa ideia. Na realidade acomodou-se narcisisticamente na cama arrumada. Ajustou-se à imagem que configuraram para ele. Empoderaram-no como um referencial situado no polo contrário.
Convencido do seu carisma, para além do partido, errou, entretanto, ao indicar seu filho, Flávio Bolsonaro, para competir à sucessão de Lula. Tarcísio de Freitas tinha melhor condição de enfrentar a campanha petista, articulada há mais de quatro anos e sustentada por enormes gastos públicos manipulados, de maneira relativamente inteligente, pelo grupo no Poder.
Antes, nunca se vira tão confuso na política brasileira como as eleições de outubro deste ano. E, se se aceitar que não há manipulação de resultados nas pesquisas eleitorais, Lula já estaria eleito para um quarto mandato de Presidente da República do Brasil, até 2031. Seu grupo conseguiu desestabilizar a união dos partidos de oposição, ao se convencer de que a maioria alimenta expectativas fisiológicas de forjar patrimônio e ganhar prestígio pessoal nas comunidades originárias.
Pesam a favor de Lula o fato de sua candidatura ser alavancada coerentemente, por um único Partido (PT), desde que foi eleito, em 2022, para um terceiro mandato. Tem a vantagem ainda de estar no exercício pleno do Governo deter a chave do Tesouro, o controle do Orçamento, das verbas das emendas parlamentares e, nesses três mandatos, aparelhou o Judiciário com seus correligionários e amigos pessoais. Confessa, sem constrangimento, ter cometido algum crime eleitoral. A Justiça não viu nenhum. Além disso, deve subir a rampa do Planto sem a inconveniente presença histórica do PMDB, engolido, digerido e definitivamente devorado”.