O brasileiro aprendeu a ter medo de tudo, em qualquer hora e lugar. O Brasil, que gozava de fama de país cordato, pacífico, de gente cordial e bondosa, que preferia a música mesmo de acelerado ritmo, à que provocavam qualquer espécie de incentivo às disputas de toda natureza, transformou-se profundamente desde os tempos prazerosos da bonomia, do respeito ao próximo, de admiração pelo belo e bom.
O povo do Brasil, de um modo geral, passou por uma metamorfose no decorrer de séculos. Bastaria comparar os índices de violência que aparecem crescentemente nas estatísticas, com consequências naturais no comportamento das pessoas e da sociedade.
O que antes representava meios e instrumentos de diversão e lazer passou a representar momentos e horas de preocupação. As famílias não descansam enquanto seus filhos não retornam de passeios vespertinos e noturnos, porque eles se tornaram perigosos e até bélicos.
A tudo isso se acrescentam os poderosos grupos de criminosos, altamente perigosos e preparados até fora de nossas fronteiras no comércio de armas, munições e drogas que percorrem todo o território para suprir um mercado ignominioso. A bandidagem, por mais que se empenhem as autoridades, chegou a um grau e dimensões nunca vistas.
As rádios e televisões têm horários inteiros destinados a divulgar os atos desses criminosos, que se tornaram sofisticados, contando com a participação de agentes atuantes no sistema bancário e policial.
Agora, o Brasil se tornou um dos países mais perigosos no mundo no âmbito do crime. Eis a notícia que acabo de ler: “O Brasil ocupa a 7ª posição no Índice de Conflitos elaborado pela ONG Acled, que avalia os cenários de violência em escala global, e figura entre as nações com violência mais severa do planeta em 2025. O ranking analisa quatro indicadores, e o Brasil aparece com nível “extremo”.