Manoel HyginoO autor é membro da Academia Mineira de Letras e escreve para o Hoje em Dia

Ensino, um sonho

Publicado em 28/07/2026 às 06:00.

O grande sonho de dotar Minas Gerais de uma Escola de Medicina concretizou-se finalmente em 1911, graças à Sociedade de Medicina, Cirurgia e Farmácia. A primeira turma somente terminou o curso em dezembro de 1917, colando grau em março de 1918. A demora se deveu principalmente à necessidade de equiparação da Faculdade aos estabelecimentos congêneres pelo governo federal, o que se deu em 26 de fevereiro de 1988. Os nomes dos pioneiros estão inseridos entre grandes profissionais que aqui exerceram a profissão.

Entre eles, está Soter Ramos Couto, nascido em 28 de agosto de 1893. Cursou o Seminário de Diamantina e o Colégio Dom Viçoso, de Belo Horizonte, matriculando-se na primeira turma em 13 de dezembro de 1918. Ao diplomar-se, defendeu com louvor a tese Afasia de Broca.

Ao completar os estudos, retornou à cidade natal, iniciando uma vida integralmente dedicada à Medicina. Durante mais de trinta anos, sem nada receber, prestou serviços à Santa Casa de Caridade, onde seu pai fora provedor por mais de 50 anos, e ao Hospital de Saúde, servindo ainda ao 3º Batalhão da Polícia Militar.

Em sua terra, conciliou os nobres deveres da Medicina com atividades políticas, sociais e assistenciais.

Retornando à capital, lecionou nos colégios Anchieta e Sagrado Coração de Jesus, e se consagrou mestre conceituado e amigo dos alunos.

Deixou, ao falecer, 18 netos e 5 bisnetos, foi membro do Instituto Histórico e Geográfico de Minas Gerais, deixando obras e artigos sobre sua cidade. No curso, ligou-se mais particularmente a Artur Carneiro Guimarães, Juscelino Kubitschek, Odilon Behrens e Pedro Nava. Isto é fantástico, se se considerar que, depois da descoberta, não há notícia de uma escola pública em Minas até 17 de outubro de 1773, quando se instalou a primeira.

O muito aplaudido dignitário católico de Minas, monsenhor José Pedro Costa, comentou “Vultos e Fatos de Diamantina”, dirigindo-se ao autor, Soter Couto: “Este livro vai ser uma cátedra e um antídoto, um arquivo de brasilidade e uma aventura sementeira de ‘diamantinidade’. Você está, pois, de parabéns, e pelas alegrias da paternidade, experimentando a respeito desta joia com que vai enriquecer o patrimônio cultural de sua terra. Você soube tão bem representar nesse mergulho de escafandista nas profundezas fecundas de nosso passado”.

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