O brasileiro se preocupa profundamente com o momento que vivemos. Não é para menos e lá de Brasília, Aylê-Salassié Filgueiras Quintão, com sua experiência e competência, adverte para os espectros deste ano eleitoral, a partir de desafios como redução das horas de trabalho e “abusos” do Judiciário que atropelam deputados e senadores.
Com a taxa de desemprego aproximando-se de 10% (1,1 milhão de pessoas à busca de trabalho) - Piauí 9,3%, Pernambuco e Bahia, 8,7%, Alagoas, Rio Grande do Norte e Amazonas, 8, 4% e assim por diante (IBGE) - o Congresso Nacional deglute, com dificuldade nos próximos dias, quase entalado, dois temas delicadíssimos: a redução da jornada de trabalho, de 44 para 40 horas semanais (o Psol defende 36 horas), sem redução de salário; e a insegurança jurídica no Brasil, criada a partir de seguidas decisões controversas dos ministros no Supremo Tribunal Federal.
Ao mesmo tempo em que o Governo propõe a redução da jornada de trabalho, surgem no meio político denúncias de que se trata de proposta de campanha eleitoral.
No mundo empresarial a resistência é grande. Teme-se que as taxas de desemprego alcancem os 10%, a adoção de inovações tecnológicas substitua a força de trabalho e induza a informalidade (subempregos), os custos da produção se elevem, reduzindo a competitividade do produto brasileiro para exportação, a inflação dispare e os baixos níveis de produtividade no Brasil subam para além da 100a posição do Brasil, entre 189 países, segundo dados da Organização Internacional do Trabalho (OIT).
Nas projeções das Confederações da Indústria e do Comércio (CNI e CNC), a redução da jornada de 6/1 para 40 horas (5/2) elevaria os custos da massa de trabalhadores formais em 7%, chegando, estimativamente, a até R$ 267 bilhões anualmente. Na indústria, o impacto representaria encargos a mais da ordem de 11%, ou R$ 88 bilhões.
Aylê é consultor de projetos sociais, consultor da Catalytica Empreendimentos e Inovações Sociais. Jornalista, professor, doutor em História Cultural. Ele vive em Brasília e é autor de “Americanidade”, “Pinguela: a maldição do Vice”. Brasília: “Otimismo”, 2018. Autor, entre outros, de “Lanternas Flutuantes”: Português – Lanterna Flutuantes, habitando poeticamente o mundo, em Alemão – Schwimmende-laternen-1508 (Ominia Scriptum, Alemanha), Inglês – Floating Lanterns, e em Polonês – Plywajace latarnie – poetycko zamieszkiwac swiat. O novo livro Território Livre! vem aí.