Aylê-Salassié Filgueiras Quintão, veterano e prestigioso jornalista de Brasília, tem razão em suas considerações sobre a Copa do Mundo de 2026. Escreveu: “A Copa do Mundo de Futebol chegou ao fim.... Não interessa ao brasileiro quem chegou às Quartas de Final, quem é ou será o campeão. O Brasil está fora…Para a Fifa foi um grande negócio: coisa de dezenas de bilhões de dólares. Ninguém fala nisso, mas é provável que tenha sido o maior faturamento entre as Copas já realizadas ao longo da história do futebol no mundo. Alguns dos principais realizadores saíram financeiramente com as “burras” cheias de dinheiro e alguns jogadores com “passes” supervalorizados. Tornaram-se definitivamente milionários.
Por outro lado, como sempre, deixou um rastilho de perdas irreparáveis: acusações de roubo de resultados, juízes omissos. Atletas lesionados, frustrações nacionais e pessoais, entre jogadores e torcedores. Um prejuízo enorme na área dos comércios internos de produtos iconográficos que alimentavam esperanças de vitórias entre colombianos, paraguaios, marroquinos, tunisianos, iranianos, sauditas, ganeses, sul-africanos, egípcios e brasileiros. A Europa venceu mais uma vez.
A Copa do Mundo de Futebol é um evento esportivo que nada tem de inocente. Envolve política, negócios, medicina, esportes e muita violência. Na Colômbia, o zagueiro Andrés Escobar, autor do gol contra que desclassificaria a sua seleção foi assassinado no meio da rua quando saía de um restaurante. No Camarões, o ex-goleiro Antoine Bell, em 1994 teve queimada a casa onde morava com sua velha mãe, sob a acusação de culpa pela goleada sofrida na Copa.
O futebol é hoje o esporte mais conhecido no mundo. Ajuda a promover uma confiança coletiva, desqualifica preconceitos e as teorias racistas e discriminatórias. Tira, de fato, muitas famílias da pobreza e fortalece o caráter identitário dos países. A carreira é curta e o final da vida de um jogador de futebol, sem outra qualificação profissional ou uma frágil formação escolar, a viver de favor, nas ruas.