Praticamente uma semana separou a morte de Mikhail Gorbachev da de Elizabeth II. Ele, falecido em 30 de agosto; ela, em 8 de setembro deste 2022 de tantos e infaustos acontecimentos para seus países e para a humanidade.
Ambos atravessaram décadas de profundas crises e transformações em todo o mundo, enfrentando os desafios impostos pelo tempo, pelos comandantes das mais importantes nações, verdadeiros impérios, que foram o da Rússia e da Grã-Bretanha.
No decorrer do longo percurso como protagonistas nas articulações ou como participantes ou colaboradores relevantes nas negociações que se processavam, souberam portar-se com dignidade e superior discernimento, para que se lograssem as soluções mais convenientes nas horas adversas.
Gorbachev manteve relações complexas com os novos líderes do Kremlin desde sua eleição a presidente da URSS com mandato de cinco anos, mas soube portar-se com a competência que se fazia imprescindível. Apresentou o projeto de reconstrução da economia, a perestroika, e proclamou a glasnost, a abertura do poder. Deu fim à guerra fria, com a derrubada do muro de Berlim, assim como promoveu medidas para pacificar nações poderosas em confronto.
Rússia, Ucrânia e Bielorrússia constataram que a União Soviética não mais existia e em 25 de dezembro de 1991 deixa a presidência assumida em período já crítico. Fora do poder, tornou-se um dos líderes mais polêmicos de sua geração. Exaltado pelas nações que queriam paz, internamente passou a ser até ridicularizado nas grandes cidades Russas.
Quanto a Elizabeth II, viveu como chefe de Estado as dificuldades e desafios de um mundo que se redesenhava, em meio aos mais preocupantes ensaios da II Grande Guerra. Com a renúncia do tio, que abdicou, e a ascensão do pai, George VI, soube acompanhá-lo e ao povo inglês no conflito que convulsionou o planeta.
Não foram poucos os desencontros na intimidade da família real, mas Elizabeth se sobrepôs com grandeza ao desprestígio do clã, abalada a simpatia pelo affair da princesa Diana, morta em acidente em Paris. Partiu para restauração da popularidade, conseguida pelas décadas de devotamento aos seus misteres como mãe e rainha.
Assumirá agora o rei Charles III, o monarca mais velho do Reino Unido.