Manoel HyginoO autor é membro da Academia Mineira de Letras e escreve para o Hoje em Dia

Guerra não termina

Publicado em 24/03/2026 às 21:09.Atualizado em 24/03/2026 às 21:16.

Volto a usar o raciocínio do jornalista, escritor e professor Aylê-Salassié Filgueiras Quintão, da Universidade de Brasília, ao focalizar a dura guerra que presentemente se trava, entre EUA/ Israel e Irã. Evoca ele com autoridade: “Se se penetrasse no coração do Irã só encontraria poesia, concluiu um daqueles sábios da antiguidade. Ao contrário de quem só vê no Irã pretensões à hegemonia no Oriente Médio, o país cultiva uma profunda e milenar herança cultural legada pela antiga Pérsia, que tinha na poesia e nas artes o caminho para a educação e a valorização da sua identidade. Influenciavam a visão de mundo dos cidadãos, a língua e até a vida cotidiana. Hoje ainda valoriza seus poetas clássicos tanto quanto os seus líderes”.

Por ali, narrativa e poesia sempre se cruzaram nas artes e na religião, até que, súbito, um grupo de religiosos islâmicos, contaminados pelo antijudaísmo, assumiu o controle total da sociedade. Depois da derrubada do governo Imperial, criaram, em 1979, um braço poderoso do exército convencional, que chamou de “guarda revolucionária”, para se proteger. 

Concomitantemente, passou a financiar a ação de grupos terroristas - Hezbollah, no Líbano; Hamas e Jirad Islâmica, na Palestina; Houtis, no Iêmem; Boko Haram, na Nigéria e outros – todos compromissados em refutar a presença dos Estados Unidos na região, a combater o judaísmo e a destruir o Estado de Israel, em nome do que identificaram como “Sionismo” (“Sião”) – movimento de  criação e sustentação política de um Estado étnico judeu , capaz de reunir seu povo disperso pelo mundo em diásporas seguidas ao longo da História.

Longe da poesia e do melhor da religião, a situação atual está posta. Os conhecedores do problema sentenciam: “O programa balístico iraniano foi sempre tema de discórdia nas conversas entre Irã e Estados Unidos para um novo acordo nuclear. Washington queria abordar o tópico, assim como o apoio de Teerã a grupos armados hostis a Israel. Mas Teerã foi reticente, reduzindo a perspectiva de um acordo. Os EUA afirmam que o Irã desenvolveu mísseis que podem ameaçar a Europa e as bases militares americanas. Teerã alegou ter limitado o alcance de seus mísseis a 2.000 km, se defendeu e afirmou que as acusações de Trump são ‘grandes mentiras’. O Irã dispõe de um amplo arsenal, em particular os Shahab-3, que podem alcançar Israel, seu inimigo declarado, e alguns países do leste da Europa”.

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