Manoel HyginoO autor é membro da Academia Mineira de Letras e escreve para o Hoje em Dia

Meses após o drama

Publicado em 26/11/2022 às 18:30.

Aconteceu na noite de 27 de junho, quando as temperaturas diminuíam. Em saída de oxigênio de um leito do décimo andar do edifício do Hospital Central da Santa Casa de Misericórdia de Belo Horizonte, o maior da capital e que interna mais de mil pacientes.

Um transtorno enorme sob todos os aspectos, mas que não causou, felizmente, pânico. Estavam ali alojados, na hora do acidente 931 pessoas, mas os gestores da instituição e seu corpo técnico e administrativo souberam agir como exigiam as circunstâncias.

Todo o andar foi desocupado, inclusive os enfermos que mereceram toda atenção, cuidados e carinho. Enfim, eram pessoas em condições muito especiais, senão não estariam em centros de tratamentos intensivos. Os hospitais João XXIII e o São Lucas os receberam, enquanto se remanejavam 29 deles internamente.

A imprensa acompanhou a operação, enquanto dezenas de pessoas assistiam ao preocupante espetáculo, com a imprescindível atuação do Corpo de Bombeiros, policiais militares e civis. Além dos preciosos funcionários do estabelecimento.

A direção da Santa Casa cuidou imediatamente de recuperar (se possível) o que fora destruído ou danificado, cônscio da responsabilidade de uma instituição com mais de 120 anos de imensos serviços à sociedade. Apurou-se que seriam altos os investimentos à obra de restauração  das instalações, bem como do sistema de climatização e pelos demais equipamentos.

O ministro Marcelo Queiroga veio examinar a situação e anunciou a liberação pela pasta da Saúde de R$ 10 milhões, evidentemente muito aquém do estipulado em orçamento preliminar.

Mais do que isso: verba se destinaria apenas à compra de equipamentos, cumprindo à Santa Casa levantar por seus próprios meios e instrumentos o faltante. E ainda: a parte do Ministério da Saúde demandaria de dez a dezoito meses para liberação.

Iniciou-se, então, uma campanha ampla junto ao empresariado e à sociedade. Os doentes não podiam esperar. Dezenas de vidas estavam em risco. Assim se procedeu e, mais uma vez, Belo Horizonte correspondeu plenamente à imposição.

Graças a tudo isso, a Santa Casa está registrando, no dia 21 de novembro, o integral resgate dos cinquenta leitos de terapia intensiva, atingidos pelo desastre de junho e tudo o mais necessário. Milagre existe.

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