Manoel HyginoO autor é membro da Academia Mineira de Letras e escreve para o Hoje em Dia

Muda tudo no Hospital Maria Amélia Lins (HMAL)

Publicado em 09/09/2026 às 07:00.

Foi uma sucessão de grandes lutas a cessão do Hospital Maria Amélia Lins à Santa Casa BH, que demandaram meses sucessivos, reuniões entre representantes da filantrópica e autoridades da saúde estadual e municipal, com ênfase Fábio Baccheretti, secretário de Saúde de Minas, da Secretaria Municipal e de Renata Ferreira Leles Dias, da Fhemig. 

A mais recente reunião de trabalho, em 1º de setembro, na Provedoria da Santa Casa, antiga Maternidade da SC. Depois deste encontro na Rua Álvares Maciel, 611, tomaram-se decisões finais. Assim, a cessão do imóvel à Santa Casa foi formalizada no dia 1º. O acordo tem duração inicial de cinco anos, com possibilidade de renovação. A instituição ficará responsável pela conservação do prédio, pelos trabalhadores e pela prestação dos serviços.  

Para o provedor da Santa Casa BH, Roberto Otto, a escolha do novo perfil do hospital considerou as necessidades atuais da população e a possibilidade de ampliar outros serviços da instituição. A proposta é aproveitar a estrutura do antigo HMAL para aumentar a oferta de atendimentos especializados pelo SUS em Belo Horizonte. 

A unidade, antes dedicada a procedimentos ortopédicos, será transformada em um centro de oftalmologia administrado pela Santa Casa BH. A previsão é que o espaço volte a receber pacientes em dezembro. A instituição pretende concentrar no imóvel serviços que hoje funcionam em diferentes áreas do complexo da Santa Casa, incluindo consultas, atendimento de urgência e cirurgias oftalmológicas. 

O projeto prevê investimento de R$ 5,8 milhões em obras e adequações. A expectativa é acrescentar cerca de 120 cirurgias oftalmológicas e mais de 170 pequenos procedimentos à capacidade mensal da instituição. Mas, não é só isso. 

O prédio  também receberá o serviço de diálise peritonial. A transferência está prevista para abril de 2027, quando a expectativa é disponibilizar 47 novas vagas para pacientes que necessitam do tratamento. 

A transferência dos atendimentos de oftalmologia para o antigo HMAL abrirá espaço em outras áreas da SCBH. A instituição prevê utilizar as estruturas liberadas para ampliar serviços. A estimativa é acrescentar 40 consultas mensais em saúde auditiva e realizar aproximadamente 400 ultrassonografias a mais por mês, cuja capacidade ultrapassará 3,6 mil exames mensais. 

Também estão em avaliação novos procedimentos de otorrinolaringologia e a ampliação da oferta de implantes cocleares. A escolha da oftalmologia para ocupar o hospital levou em consideração a demanda reprimida da rede de saúde de BH. Segundo o Governo de Minas, a ortopedia deixou de representar um dos principais gargalos da capital, enquanto a procura por atendimento oftalmológico permanece elevada, depois que a antiga estrutura da clínica cedeu espaço ao Instituto de Oncologia, em plena atividade desde então.

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