O Brasil tem na China um de seus melhores e maiores importadores. É sabido que a situação deve ser preservada porque não podemos ficar à mercê de tradicionais compradores de nossos produtos, e a recíproca é verdadeira.
Teço estas considerações, como já fiz outras vezes, para voltar a considerar o problema siderúrgico. As nossas empresas do setor reduziram 5.100 empregos e suspenderam R$ 2,5 bilhões em investimentos até novembro último, em meio a fortes pressões causadas pelas importações de aço chinês no país.
Estas informações foram divulgadas recentemente pelo Instituto Aço Brasil. No mesmo período, quarenta altos-fornos, uma aciaria e cinco usinas semi-integradas que fundem sucatas em fornos elétricos tiveram que ser paralisadas devido à menor demanda pelo aço produzido internamente em comparação com 2024.
O instituto, que representa o setor no país, revisou para baixo a produção de aço bruto no Brasil: de uma queda de 0,8% para uma queda de 2,2%. A estimativa é que, ao final de 2025, as siderúrgicas brasileiras tenham produzido 33,1 milhões de toneladas de aço e vendido 21,1 milhões no mercado interno e 10,2 milhões para o externo - nessas últimas houve aumento de 6,9% na projeção.
Quanto às importações de aço bruto, o mercado asiático causa transtorno e inquietação. Um dos dirigentes da Arcelor Mittal, uma das maiores siderúrgicas do planeta, delatou há poucos dias: “infelizmente, temos sido invadidos por aço que compete de maneira desleal e que chega ao nosso país com subsídios de impostos, de financiamento e de legislação ambiental. É uma competição desleal. Alguns falam até numa competição predatória.
Nós temos solicitado ao governo que equilibre esse campo. Que as regras sejam as mesmas, que o cartão vermelho que expulsa o jogador brasileiro de campo também expulse o jogador chinês. A situação atual é bastante desafiadora, a importação predatória de aço no Brasil cresceu mais de 50% nos últimos anos, e ela chega de maneira desleal e coloca a sustentabilidade da siderurgia do Brasil em risco”.