Manoel HyginoO autor é membro da Academia Mineira de Letras e escreve para o Hoje em Dia

O aço desleal

Publicado em 31/12/2025 às 06:00.

O Brasil tem na China um de seus melhores e maiores importadores. É sabido que a situação deve ser preservada porque não podemos ficar à mercê de tradicionais compradores de nossos produtos, e a recíproca é verdadeira.

Teço estas considerações, como já fiz outras vezes, para voltar a considerar o problema siderúrgico. As nossas empresas do setor reduziram 5.100 empregos e suspenderam R$ 2,5 bilhões em investimentos até novembro último, em meio a fortes pressões causadas pelas importações de aço chinês no país.

Estas informações foram divulgadas recentemente pelo Instituto Aço Brasil.  No mesmo período, quarenta altos-fornos, uma aciaria e cinco usinas semi-integradas que fundem sucatas em fornos elétricos tiveram que ser paralisadas devido à menor demanda pelo aço produzido internamente em comparação com 2024.

São fatos de grande significado para o Brasil, que tem papel importante em âmbito siderúrgico, mas também há de ser avaliado o prejuízo que tem sido causado.

O instituto, que representa o setor no país, revisou para baixo a produção de aço bruto no Brasil: de uma queda de 0,8% para uma queda de 2,2%. A estimativa é que, ao final de 2025, as siderúrgicas brasileiras tenham produzido 33,1 milhões de toneladas de aço e vendido 21,1 milhões no mercado interno e 10,2 milhões para o externo - nessas últimas houve aumento de 6,9% na projeção.

Quanto às importações de aço bruto, o mercado asiático causa transtorno e inquietação. Um dos dirigentes da Arcelor Mittal, uma das maiores siderúrgicas do planeta, delatou há poucos dias: “infelizmente, temos sido invadidos por aço que compete de maneira desleal e que chega ao nosso país com subsídios de impostos, de financiamento e de legislação ambiental. É uma competição desleal. Alguns falam até numa competição predatória.

Nós temos solicitado ao governo que equilibre esse campo. Que as regras sejam as mesmas, que o cartão vermelho que expulsa o jogador brasileiro de campo também expulse o jogador chinês. A situação atual é bastante desafiadora, a importação predatória de aço no Brasil cresceu mais de 50% nos últimos anos, e ela chega de maneira desleal e coloca a sustentabilidade da siderurgia do Brasil em risco”. 

Compartilhar
Ediminas S/A Jornal Hoje em Dia.© Copyright 2026Todos os direitos reservados.
Distribuído por
Publicado no
Desenvolvido por