Manoel HyginoO autor é membro da Academia Mineira de Letras e escreve para o Hoje em Dia

O Conselho de Paz

Publicado em 28/02/2026 às 06:10.

Atemorizado, o brasileiro começará logo a caminhar pelo terceiro mês do ano. Há muito a causar medo, a inquieta-lo. Atravessamos ainda o primeiro trimestre e ventos adversos sopram fortemente. Eles assustam mais do que as rajadas de ventos uivantes do romance inglês. Para onde eles nos impelem ou o que de incerto e grave nos ameaçam?

Quando o presidente da mais poderosa nação de nosso tempo propôs um Conselho da Paz para a região de Gaza, no Oriente Médio, ele evidentemente admitia novas guerras, como aliás fustigam a velhíssima região há milênios. Mas sabidamente – com seu jeito e maneira – Trump não quer estar ou ir sozinho ao Conselho, armando um esquema para envolver em seu desideratum outros países e povos.

Ademais, por detrás das palavras, há o que não se quer ou não se pode contar, mas que o mundo sabe e, por sabê-lo, teme. Sentem-no em primeiro lugar os mandatários de outras nações. Diagnostica-se a crise que já assombra a estrutura da Organização das Nações Unidas, cuja existência poderá quedar em jogo.

Perfeitamente se conhece a atitude de Tio Sam, que já vem cancelando a vigência e o pagamento de recursos que a Casa Branca vinha disponibilizando a organismos importantes para a máquina administrativa às nações há anos. Basta conferir a preocupação já manifestada pelos responsáveis por peças valiosíssimas para os habitantes de nosso planeta, começando pela OMS – Organização Mundial de Saúde, de suma valia como se pôde aferir durante a pandemia, que – mesmo assim – viu se perderem mais de 700 mil vidas humanas.

Os Estados Unidos, hostis ao multilateralismo defendido pela ONU, reduziram o financiamento de algumas agências nos últimos meses e negaram ou atrasaram alguns pagamentos obrigatórios. “Já foram anunciadas oficialmente decisões de não honrar as contribuições que financiam uma parcela significativa do orçamento regular aprovado”, acrescentou António Guterres, Secretário-Geral das Nações Unidas, já adivinhando o que o futuro pode trazer consigo.

Guterres, Secretário-Geral, tem destacado repetidamente sobre a crescente crise de liquidez da organização, mas este é o seu alerta mais contundente até o momento. O aviso sobre a crise nas Nações Unidas vem logo após o lançamento do Conselho da Paz, iniciativa do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump. O grupo foi inicialmente idealizado para atuar apenas em Gaza, mas agora Trump fala em atuar em outros conflitos pelo mundo que necessitem de mediação. Declarações da Casa Branca causaram preocupação entre a comunidade internacional, que está vendo o Conselho como uma espécie de “ONU paralela”.

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