Manoel HyginoO autor é membro da Academia Mineira de Letras e escreve para o Hoje em Dia

O municipalismo

Publicado em 17/12/2025 às 06:00.

Vê-se com entusiasmo a consolidação do ideal municipalista no Brasil nestas primeiras décadas do século XXI. O sonho e o plano, ambos bem antigos, prevaleceram depois de muito esforço, decepções e frustrações. Venceu o pensamento original, chegando a tempo no propiciamento de soluções para problemas e promessas que exigiram anos de estudos e até de sacrifícios.

Nos anos cinquenta, do século passado, o prefeito de Belo Horizonte era Celso Mello de Azevedo, agora nome do discutido Anel Rodoviário da capital. Aqui nascido, ele se tornou o primeiro filho do velho Curral Del Rei a tornar-se executivo da metrópole projetada por Aarão Reis e sua equipe. A cidade crescera rapidamente, a população idem, os problemas tornaram-se imensos, mas a arrecadação de tributos permanecia insuficiente para obras e empreendimentos.

A predominância dos impostos arrecadados era carreada para a União. E a população da cidade padecia com os problemas, sem que a Municipalidade conseguisse atender suas demandas e solucionar seus problemas. Fazer o quê? Somente uma atualização dos termos da Constituição se daria resposta. O então prefeito se pôs em campo com firme determinação, iniciando contatos com deputados estaduais e federais para a imprescindível revisão da Carta Magna e legalização seguinte.

Os detentores do Poder sempre quiseram, evidentemente, proporcionar à população de longínquos rincões os meios capazes de propiciarem vida saudável. Começou-se a mobilização dos chefes de Executivo de várias regiões, com reuniões para debate da matéria. Havia unanimidade, a ideia avançou, penetrou em todas as esferas de decisão, até que se lograsse unanimidade após a fundação da Associação Mineira de Municípios.

Não se deu, evidentemente, o atendimento das aspirações da sociedade de uma hora para outra. Faltava muitíssimo. Mas o movimento municipalista presente estava imbuído em todas as cabeças pensantes Brasil afora, Brasil adentro. A participação das comunidades e a força das entidades locais e regionais conduziram o municipalismo a seus melhores momentos para servir a nosso cidadão, nosso povo, da melhor maneira possível. 

O registro que faço pode transformar-se em estímulo à luta para oferecer às gentes deste país condições para melhor viver, criar a família, e promover o progresso nacional.

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