Há inúmeros olhando para o céu, mas nem todos querem ver estrelas. Outros pisam a terra e veem distâncias, mas querem medir a riqueza que ela esconde. Não é novidade, tudo pode virar poesia e livro. Mas há muitos que descobriram em recantos remotos preciosidades que o os habitantes da região também produzem.
Até relativamente há pouco, deparavam-se em territórios recônditos, produtos feitos manualmente com terra molhada, outros faziam com as mãos maravilhas em bordados peças que as madames podiam expor em eventos nas cidades maiores e capitais. Assim, foi o Vale do Jequitinhonha, antes da pobreza e do desencanto. O Vale do Jequitinhonha.
Bem verdade que se descobriram pedras preciosas, que serviram de estímulo e amparo para os que sonhavam chegar mais alto e ganhar novas altitudes. Mas também os que se descobriram e se revelaram nos instrumentos musicais para embevecer multidões.
Mais recentemente surgiram milagres como os das terras raras, que, há muito havia se tornado presente divino, a que outros países já tinham recebido. Os ambiciosos viram na região o ambiente adequado para batear votos e para o conquistar. Valeu para muitos, mas não serviu para todos.
Um expert na matéria, Geraldo Fernandes, tem pensamento próprio e correto, no Centro de Conhecimento e Biodiversidade da UFMG. Ele está certo: “Por isso, essa região precisa olhar além das promessas políticas tradicionais. A população deve perguntar: qual é o projeto de futuro para o Vale do Jequitinhonha? Como pretendem transformar sua extraordinária sociobiodiversidade em geração de renda, inovação, emprego e qualidade de vida? Como serão protegidos os recursos naturais diante da crescente pressão econômica sobre o território? Como pretendem inserir o Vale na economia do conhecimento e da inteligência artificial?
O Vale necessita de representantes políticos e administrativos que compreendem ciência, inovação, planejamento territorial e desenvolvimento sustentável. Precisa de pessoas capazes de articular e dialogar com universidades, centros de pesquisa, empreendedores, comunidades tradicionais, agricultores, organizações sociais e investidores comprometidos com um modelo moderno e, portanto, sustentável de desenvolvimento.