Manoel HyginoO autor é membro da Academia Mineira de Letras e escreve para o Hoje em Dia

O valor da vida

Publicado em 22/09/2026 às 06:00.Atualizado em 25/09/2026 às 12:51.

Os Estados Unidos andam interessados sobremaneira em sobretaxar produtos importados do Brasil. O caso se deu por, segundo o Escritório do Representante Comercial dos Estados Unidos (USTR), integrar o grupo de países que, na avaliação, visam impedir a importação de produtos fabricados com trabalho forçado. 

No entanto, nenhuma medida foi proposta no caso de feminicídios, que, em 2025, registraram 1.571 casos, o maior número de nossa história, representando 4,3 mortes femininas motivadas por gênero, por dia, em média.

Segundo o Anuário Brasileiro de Segurança Pública, os feminicídios aumentaram em 4,4%. E os dados são, pois, oficiais.

No último ano, registraram queda os crimes de homicídio doloso (queda de 10%), latrocínio (-17%) e lesão corporal seguida de morte (-15,2%). Os dados mostram, no entanto, que as mortes por intervenção policial e os feminicídios subiram 5,4% e 4%, respectivamente.

Apesar da queda na média nacional das MVI, sete unidades da federação tiveram alta em comparação com os dados do ano anterior: Rio Grande do Norte (19,6%), Rondônia (7,5%), Acre (6,3%), Roraima (5,8%), Distrito Federal (5,8%), Mato Grosso do Sul (4,9%) e Rio de Janeiro (2,1%).

De acordo com o relatório, os demais estados apresentaram reduções nas MVI: Amazonas (-32,5%); Rio Grande do Sul (-25,7%); Mato Grosso (-23,2%); Piauí (-15,7%); Paraná (-15,5%); Minas Gerais (-14,2%); Goiás (-12,7%); Santa Catarina (-11,1%); Bahia (-9,6%); Pernambuco (-9,3%); Espírito Santo (-8,4%); Ceará (-7,5%); Alagoas (-6,6%); Amapá (-5,9%); Paraíba (-3,9%); São Paulo (-3,9%); Pará (-3,7%); Sergipe (-3%); Tocantins (-2,2%); e Maranhão (-2,2%).

Em 2025, os registros do Anuário de Segurança Pública mostram que 44,4% das mulheres assassinadas no país foram mortas por razões de gênero – o maior percentual desde quando o feminicídio entrou para o Código Penal brasileiro, em 2015.

Em números absolutos, no último ano, 1.571 mulheres foram vítimas de feminicídio, ou 4,3 mortes por dia (alta de 4% em relação a 2024).

As tentativas de feminicídio, segundo o Anuário, também continuaram a crescer em 2025. Foram 4.189 mulheres sobreviventes, um aumento de 5,9% em relação a 2024, ou seja, para cada feminicídio consumado registrado no país em 2025 houve quase três tentativas.

Segundo a publicação, as regiões Centro-Oeste e Norte apresentaram as maiores taxas do país, com 9,8 e 8 vítimas por 100 mil mulheres, respectivamente, e as regiões Sudeste (4,2), Nordeste (4,8) e Sul (5,2) registraram menores níveis de violência letal de gênero consumada e tentada.

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