Manoel HyginoO autor é membro da Academia Mineira de Letras e escreve para o Hoje em Dia

Os cem anos

Publicado em 24/12/2025 às 06:00.

Mesmo que não se queira, não se consegue desviar a atenção dos passos da Santa Casa quando se cuida de saúde. É histórico e indesviável, se se considerar que a entidade foi a primeira a pensar em defender o morador da cidade quando ela mal começava, como metrópole, isto é, desde os primórdios do século XX e final do anterior.

Programada a construção de uma nova sede para o governo de Minas, não se podia perder tempo. O historiador da medicina por aqui, Pedro Sales, anotou: “Como por encanto, altera-se subitamente o panorama social. No arraial pacato e modorrento, de vielas quietas, com o seu casario silente, o povo dormia cedo, na descrição de Abílio Barreto, mesmo escolhido para nele instalar-se a nova capital de Minas”.

Mas havia muitos senões: “As condições sanitárias eram precárias”. Um relatório do engenheiro-chefe anota: “A aglomeração de semelhante população, que não prima pelo amor à higiene, o acúmulo de detritos orgânicos e resíduos de toda ordem, o solo largamente revolvido eram ameaças à saúde”.

Tinha-se, pois, antes de tudo de zelar por ela e os doentes. Cedo se concluiu que se precisava de assistência médica. E a primeiro a cuidar dela foi a Santa Casa, fundada dois anos após a inauguração. Começou e não parou, nem podia.

Assim, não surpreende a notícia neste mês da inauguração da exposição “De Juscelino, o médico que pensou o Brasil”, relembrando a trajetória do ex-presidente Juscelino Kubitschek, no Teatro Feluma, no dia 11 de dezembro, véspera da data de inauguração de Belo Horizonte. O público que foi ao teatro, então, pôde assistir ao documentário “JK - o reinventor do Brasil”. Assim mesmo. A entrada era franca e o teatro fica na Alameda Ezequiel Dias, 279, 7º andar, na proximidade do antigo campo do América.

Em Belô, falou-se Belô, fala-se em Juscelino, fala-se em Santa Casa. Agora, o calendário se mede por século. Mas tudo com muito carinho, entusiasmo e louvor. Os cem anos só contam vantagens efetivas e alegres. Ainda bem.

A metrópole de Minas é alegre, com promoções e eventos que não se pode perder. A cidade se orgulha de ser assim e nada a mudará. Este é o período terminal de um ano, mas não de uma vocação que engrandece a metrópole projetada por Aarão Reis, por sinal nascido no Pará. Ele sabia fazer as coisas.

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