Manoel HyginoO autor é membro da Academia Mineira de Letras e escreve para o Hoje em Dia

Outubro

Publicado em 10/10/2026 às 06:00.

O Brasil chega ao final de um novo outubro. Espera-se, e mesmo se confia, que possa estabelecer um regime de tranquilidade que propicie o desenvolvimento almejado para a pátria e para os cidadãos. Antes de tudo, tem-se de afastar definitivamente as fúrias desencadeadas sucessivamente pelo mero interesse ou pela ambição desmedida de poder. Não se admite a prevalência de pretensos gênios insubmissos capazes de atear fogo ao rico manancial incendiável, tornado disponível pela incompreensão de muitos e pelo afastamento lamentável das grandes causas do cidadão e de seus mais altos e positivos ideais.

Incumbe aos vencedores do pleito, tão duramente disputado, resgatar os fundamentos da República, livrando-a do torvelinho geral e da violência alimentada pelo calor das paixões acesas. É preciso conter a turbulência e apagar as labaredas de várias procedências que ameaçam a estabilidade das instituições democráticas, restabelecendo a serenidade que o momento exige.

Há de se ressemear as sementes da compreensão e da confraternização, como numa família unida e solidária, em sintonia com os ideais e estímulos inseridos no Manifesto dos Mineiros, em 1943. Lá se ensina com propriedade que as conquistas espirituais e morais de um povo se perdem com facilidade quando o homem as negligencia ou quando a tolerância é substituída pelo sectarismo.

Quem conhece a história e as tradições de nossa gente pode medir a extensão e a gravidade da violência infligida ao nosso temperamento pacífico, pela mera consideração de atitudes e políticas que desvirtuam a essência do nosso gênero político e agridem a harmonia social.

Este outubro, simplesmente por ser outubro, há de se transformar num brado solene de advertência sobre os erros do passado e de confiança inabalável no futuro de Minas e do Brasil, distanciando-o de vez de polarizações estéreis e de outros desserviços prestados à pátria.

Nesse cenário de constantes travessias e desafios republicanos, cabe sobretudo à sociedade civil e às lideranças lúcidas manterem a vigília cívica ininterrupta, garantindo que a democracia não seja apenas uma palavra impressa em leis, mas uma prática diária de respeito mútuo, diálogo construtivo e união fraternal.

Já Artur Bernardes, dois anos após a Revolução de 1930, sentenciava que os que entraram com altos objetivos naqueles eventos — e que não desconheciam a ciência política nem as necessidades nacionais — conscientizaram-se da urgência de combater os grandes problemas do país, elegendo como prioridade máxima e inegociável a reconciliação dos brasileiros.

É esta, sem dúvida, a mais urgente e necessária missão que ora resta cumprir para a grandeza da nossa nação.

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