Em 28 de novembro, houve um culto, altamente concorrido. Hora de oração, de manifestação de fé e esperança, num mundo tão atabalhoado por dúvidas de toda natureza, pelas anomalias na humana conduta e na proliferação dos desentendimentos em todas as escalas e circunstâncias, de acirramento das discórdias entre pessoas e países. Aí, pensei na grandeza da missão das misericórdias em favor dos que mais carecem de solidariedade física e espirituais.
De Porto Alegre, recebo a oportuna manifestação seguinte: “Neste processo de (re)descobrir e (re)pensar a história de nosso país, assume relevância indiscutível o papel desempenhado pelas instituições denominadas “Santas Casas de misericórdia”, uma das primeiras heranças da colonização portuguesa, quase tão antigas quanto a carta de Pero Vaz de Caminha ao rei Dom Manuel. A primeira Santa Casa do mundo foi criada em 15 de agosto de 1498, em Lisboa, tendo como patronesse a rainha Leonor de Lencastre, originando a “Confraria de Nossa Senhora de Misericórdia”. Neste mesmo ano, foram fundadas dez filiais, sendo oito em Portugal e duas na Ilha da Madeira. No Brasil, em 1539, surgia a Santa Casa de Misericórdia de Olinda. Aqui, no Rio Grande, a Santa Casa de Porto Alegre, fundada em 1808, é a mais antiga instituição filantrópica da área da saúde. Hoje, são 16 Santas Casas gaúchas.
As misericórdias brasileiras, por regerem-se pelos estatutos das instituições portuguesas congêneres, não fugiam à regra e, até o fim do século XIX, desempenharam tais funções. Cabe destacar que, na maioria dos continentes e países onde foram fundadas, as misericórdias se anteciparam às atividades estatais de assistência social e à saúde. No Brasil, e em alguns outros países, também foram as criadoras dos cursos de Medicina, Enfermagem, como é o caso daquelas fundadas em São Paulo, Rio de Janeiro, Vitória e Porto Alegre.
E por que não Belo Horizonte?