Manoel HyginoO autor é membro da Academia Mineira de Letras e escreve para o Hoje em Dia

Papel das faculdades

Publicado em 23/12/2025 às 06:00.

Em 28 de novembro, houve um culto, altamente concorrido. Hora de oração, de manifestação de fé e esperança, num mundo tão atabalhoado por dúvidas de toda natureza, pelas anomalias na humana conduta e na proliferação dos desentendimentos em todas as escalas e circunstâncias, de acirramento das discórdias entre pessoas e países. Aí, pensei na grandeza da missão das misericórdias em favor dos que mais carecem de solidariedade física e espirituais.

De Porto Alegre, recebo a oportuna manifestação seguinte: “Neste processo de (re)descobrir e (re)pensar a história de nosso país, assume relevância indiscutível o papel desempenhado pelas instituições denominadas “Santas Casas de misericórdia”, uma das primeiras heranças da colonização portuguesa, quase tão antigas quanto a carta de Pero Vaz de Caminha ao rei Dom Manuel. A primeira Santa Casa do mundo foi criada em 15 de agosto de 1498, em Lisboa, tendo como patronesse a rainha Leonor de Lencastre, originando a “Confraria de Nossa Senhora de Misericórdia”. Neste mesmo ano, foram fundadas dez filiais, sendo oito em Portugal e duas na Ilha da Madeira. No Brasil, em 1539, surgia a Santa Casa de Misericórdia de Olinda. Aqui, no Rio Grande, a Santa Casa de Porto Alegre, fundada em 1808, é a mais antiga instituição filantrópica da área da saúde. Hoje, são 16 Santas Casas gaúchas.

A preocupação com a situação dos enjeitados e marginalizados foi a origem da fundação das Santas Casas de Misericórdia, em 1498, em Portugal, e em 1539, no Brasil (Olinda, Pernambuco). Sendo assim, surgiram com função muito mais assistencial do que terapêutica. Davam atendimento aos pobres nas doenças, no abandono e na morte. Eram abrigados, além dos enfermos, os abandonados e marginalizados (crianças e velhos), os excluídos do convívio social, como os criminosos, doentes e os doentes mentais.

As misericórdias brasileiras, por regerem-se pelos estatutos das instituições portuguesas congêneres, não fugiam à regra e, até o fim do século XIX, desempenharam tais funções. Cabe destacar que, na maioria dos continentes e países onde foram fundadas, as misericórdias se anteciparam às atividades estatais de assistência social e à saúde. No Brasil, e em alguns outros países, também foram as criadoras dos cursos de Medicina, Enfermagem, como é o caso daquelas fundadas em São Paulo, Rio de Janeiro, Vitória e Porto Alegre.

E por que não Belo Horizonte?

Compartilhar
Ediminas S/A Jornal Hoje em Dia.© Copyright 2026Todos os direitos reservados.
Distribuído por
Publicado no
Desenvolvido por