O poder público terá de assumir sua responsabilidade com relação ao patrimônio ambiental histórico, artístico e cultural, que há de ser preservado como determinam normas disponíveis e inquestionáveis em todo o território nacional. Em Minas Gerais, há casos suficientes e suficientemente típicos do período difícil que atravessamos. O de Belo Horizonte, enfrentando mineradoras da Serra do Curral, adverte para a gravidade do problema, que não pode ser negligenciado. A história tem pressa.
A imprensa da capital tem dado ampla cobertura para que as empresas enxerguem o que fazem com relação à serrania que circunda a cidade e que constitui uma espécie de retrato da velha Curral del-Rei. Uma guerra assás desafiadora porque os empresários resistem à força da lei e ao interesse da comunidade.
Em Montes Claros, idem. O lado Leste da metrópole norte-mineira padece impiedosamente com a ação dos que ali se instalaram visando a produção de cimento. Embora respectiva empresa tenha recebido um prêmio ambiental por sua atuação, é imprescindível que o outro lado da questão seja ouvido e respeitado.
Os montes-clarenses que voltam ao local de nascimento e habitação perguntam: “Onde está o Morro Dois Irmãos”? Em verdade um deles foi cortado ao meio, ferindo o mano maior para que sirva de estrada de acesso ao núcleo exploratório da matéria-prima.
José Ponciano Neto, que ostenta o título de técnico de Meio Ambiente e Recursos Hídricos, dentre outros em sua área de atuação, acompanha tudo com profunda preocupação e indesviável temor. Quando do licenciamento para o empreendimento Industrial, ficara claro que determinados bens não seriam afetados ou destruídos.
Assegurava-se que a exploração do calcário não afetaria a silhueta do Morro Dois Irmãos, não permitindo a descaracterização do brasão e da bandeira da cidade, mas foi o que aconteceu.
Danificados visivelmente os morros Dois Irmãos e o da Boa Vista, agora é a vez do lado Leste do complexo, o mais perceptível de uma cidade que é a quinta em população do estado inserida na zona de amortecimento do Parque Lapa Grande e do Parque Sapucaia, já no perímetro urbano.
Condições estabelecidas em reuniões, visando à defesa do ambiente e das belezas naturais, não são obedecidas e já se parte para outras iniciativas que são perniciosas a Montes Claros. Autoridades e população não poderão ficar silentes e inertes.