O mundo vive um dos períodos mais inquietos e inquietantes da história, esta escrita com H. Há uma generalizada tensão em todos os quadrantes, nas relações internacionais e na gestão interna das nações.
O mundo mais ocidental formou uma comunidade bem definida, desde que a Rússia decidiu invadir a Ucrânia, sem declaração de guerra. Agora, o Tribunal Penal Internacional, com sede em Haia, emitiu mandato de prisão contra o presidente Putin, pela deportação de milhares de crianças de partes da Ucrânia ocupadas pelas forças de Moscou.
O tribunal mandou também expedir mandado de prisão pelo mesmo motivo contra a comissária presidencial para Direitos da Infância na Rússia, Maria Alexeyevna Lvova-Belova. A manifestação do presidente foi clara e ostensiva: seu país não reconhece o Tribunal, nem dele é membro.
Imagine-se se o argumento servisse para outros atos e fatos em termos não internacionais. Ou seja, ninguém poderia ser preso por não reconhecer a autoridade judicial. Enquanto isso, dezesseis mil crianças ucranianas foram deportadas desde o início da guerra, que como tal sequer é reconhecida por Moscou.
Nos Estados Unidos, a maior potência do planeta, também o assunto reside na prisão (?) do ex-presidente Donald Trump. Riquíssimo e ambiciosíssimo, ele declarou publicamente que seria preso. Mas teve a petulância de convocar seus adeptos e aliados a protestar contra: “Proteste, traga nossa nação de volta”, é o grito do ex-ocupante da Casa Branca. O que acontecerá ou aconteceria?
O interessante e curioso é que esta gente que vive no topo dos negócios e das nações ignora muito mais do que acontece em derredor. Esquece, por exemplo, que a ONU prevê que se terá de aumentar a produção de alimentos em 68% até 2050, para saciar a necessidade da população mundial. Um pormenor: ao Brasil caberia acrescentar 40% ao que já produz. Não é fácil, porque o coeficiente de subalimentados por aqui já é de 33 milhões de pessoas, segundo dados fidedignos.
Enquanto isso, os agentes e gerentes de guerra se armam em todo o território do planeta chamado Terra.
Até quando? Ou será para sempre?
Se necessário ainda, Joe Biden prometeu, em Kiev, mais armamento à Ucrânia. “Vou anunciar a entrega de outros equipamentos essenciais, incluindo munições de artilharia, sistemas de antiblindagem e radares de vigilância aérea”.
O novo pacote de ajuda incluirá mais equipamento militar, além de munições de artilharia, obuses e mísseis Javelin, uma arma portátil projetada para destruir tanques e outros veículos pesados.
* Jornalista, escritor e membro da Academia Mineira de Letras