A história de Cleitinho, modesto morador do Oeste mineiro, que foi verdureiro em sua terra natal, Divinópolis, instalado numa praça sobremodo conhecida, despertou a atenção de toda a nação a partir da campanha eleitoral de 2026.
Uma das razões é que menino e jovem concorreu a governança de seu Estado e conseguiu resultado aparentemente inimaginável. Venceu com maiores atropelos em termos eleitorais. Sua elevação ao mais alto cargo público de Minas representa muitíssimo para todos os que sem terem nascido em berço esplêndido se julgam com direito igual aos demais que ali viram a luz do dia, mesmo com as benesses da origem.
Cleitinho me faz lembrar Konstantin Christoff, nascido na Bulgária, terra de seus pais e de um segundo irmão. Os pais, verdadeiros, se transferiram para o Novo Mundo, nos Montes Claros, sertão profundo do outro lado do oceano. Konstantin desejara sempre ser marinheiro. Primeiro vieram os pais – Christo e Rosa, depois o primogênito, Rayu.
A banca de verduras do casal búlgaro não acabou quando o Rayu e Konstantin se deslocaram para a capital dos mineiros. O primeiro foi estudar na famosa Faculdade de Engenharia, onde se diplomou brilhantemente em Química Industrial; o irmão preferiu Medicina, seu sonho depois da suposta carreira pelos mares. Navegação não mais. Saíram-se como entraram: bem.
Um acidente fatal arruinou a carreira do primogênito. O segundo tranquilamente ingressou na Medicina de corpo e alma. O problema é que o médico jamais deixou a de se dedicar à pintura, ganhando projeção do distante sertão, presente em todas as exposições a que comparecia. O gênio superava tudo e passara a ocupar espaços nas maiores galerias do mundo, mesmo na ONU, em Nova Iorque.
Não há quem vença os atributos divinos. O divinopolitano tem palácios à disposição; Konstantino, gênio do pincel, partiu para o céu com um deles entre os dedos.