Para se compreender a possibilidade iminente de golpe no fim de 2022, em que se viu envolvido o Planalto, ou envolveu personalidades do governo federal, é importante ler a entrevista que concedeu a matutino impresso da capital em 20 de agosto último. O depoente foi o comandante da Força Aérea no governo Bolsonaro, o Brigadeiro Carlos Batista Júnior. Quem não teve ensejo de ler as declarações do comandante poderá, no entanto, recorrer à leitura do livro recém-editado.
O volume foi lançado pela Editora Autêntica, tem 240 páginas e recebeu o título “Eu disse não - uma trincheira antigolpista”, e acrescenta valiosas informações que contribuem para sentir a situação que a nação viveu naquele período e que terminou com o julgamento de autoridades maiores das Forças Armadas e condenação do ex-presidente Jair Bolsonaro e outras figuras militares expressivas.
Perguntado pelo jornal e com resposta da jornalista Ana Luiza Albuquerque se ele achava que havia em algum momento risco iminente de golpe, respondeu: “Nós demos diversas demonstrações de que não iríamos apoiar o golpe. A nota foi no dia 11 de novembro. Foi no auge do estresse. Foram diversas e cansativas reuniões tentando estudar uma maneira de um estado de exceção para não dar posse ao presidente eleito, sem que estivessem presentes os pressupostos básicos, seja para uma GLO (Garantia da Lei e da Ordem), para o estado de defesa, para o estado de sítio. Tínhamos informações de que poderiam tirar aquelas pessoas à força. Iria ter um mar de sangue lá. O objetivo foi evitar um derramamento de sangue, até porque nós sabíamos que já estava com uma probabilidade decrescente de pessoas, de mobilização.
Nós achamos que a nota estava no tom adequado para dizer “pode fazer manifestação pacífica”. Não é para quebrar nada, não é para fazer arruaça. E falamos para todos os lados: “Olha, eu acho que está na hora de todo mundo jogar o jogo da legalidade”.