A situação é muito séria, porque grave, em âmbito mundial. Não me refiro ao problema que pode afetar o planeta, no qual nos encontramos, todos sabem. Não é referência aos que resultam da Copa do Mundo, que caminha para seu final sem valores muito lisonjeiros para alguns que conquistaram em vezes anteriores a Copa, como o Brasil.
Falo do que El Niño poderá causar-nos em futuro não muito longínquo. Curiosamente não estamos pensando nisso, o que é péssimo. O que atrai a atenção presente e chega a empolgar é a disputa pela bola, desta vez realizada em três nações, sob a tutela – se esta é a expressão própria – dos Estados Unidos.
Autoridades no assunto, não apenas os que entre nós existem, já advertiram que o fenômeno pode favorecer a ocorrência de enchentes, deslizamentos de terra e alagamentos.
Eis os fatos: “Entre outras cidades mineiras com alta adaptação, Belo Horizonte, Betim e Contagem, na Região Metropolitana; Uberlândia, no Triângulo Mineiro; e Pouso Alegre, no Sul de Minas. A AdaptaBrasil, desenvolvida pelo Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação em parceria com o Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe), é uma ferramenta que estabelece uma pontuação entre 0 e 1 para avaliar o nível de adaptação dos municípios aos efeitos das mudanças climáticas. Cidades com indicadores entre 0,20 e 0,39 são classificadas com baixa capacidade de adaptação do estudo.
Do total analisado, 222 cidades (26%) apresentam índices considerados insatisfatórios de adaptação para lidar com inundações, enxurradas e alagamentos. Outros 400 municípios (46,9%) têm indicadores abaixo do recomendado para prevenção e resposta a deslizamentos de terra. No entanto, o resultado não significa que todas essas localidades estejam necessariamente em áreas de alto risco, mas indica que elas possuem estruturas e estratégias consideradas insuficientes para enfrentar esses tipos de ocorrências.
Em contrapartida, 231 municípios mineiros apresentam capacidade média, alta ou muito alta de adaptação a inundações, enxurradas e alagamentos. Para o professor Enner Alcântara, do Programa de Pós-Graduação em Desastres Naturais (Unesp/Cemaden), é preciso cautela ao analisar os impactos esperados. “Nem todo El Niño produz os mesmos efeitos, e é importante evitar simplificações excessivas”.
Segundo o professor, o fenômeno natural está associado ao aquecimento anormal das águas superficiais do Pacífico Equatorial, capaz de alterar a circulação atmosférica e influenciar o comportamento das chuvas e das temperaturas em diferentes regiões do planeta”.