Manoel HyginoO autor é membro da Academia Mineira de Letras e escreve para o Hoje em Dia

Sobre as armas nucleares

Publicado em 16/12/2025 às 06:00.

Estamos ainda sob as repercussões da COP 30, este ano, em Belém. Muito ficou do que foi falado, discutido, aprovado, criticado na capital do Pará, no novembro pretérito, que alumia já a placa de 2026, que – rogamos a Deus – seja mais benévolo e benéfico para todos os povos, inclusive o brasileiro, que não tem razões para constituir exceção.

Mas Vinicius Mota, secretário de redação da Folha de São Paulo e Aylê-Salassié Filgueiras Quintão, periodista de extensas jornadas por vários países, professor da Universidade de Brasília, estão ainda intrigados com a viagem do presidente brasileiro à Rússia, convidado para assistir aos desfiles militares do Dia da Vitória, comemorando fim da II Grande Guerra, hoje a grande obra dos russos.

Mota e Salassié indagam se seria a Rússia o melhor parceiro do Brasil na área da energia nuclear. O mestre da capital federal comenta, com o desassombro que é uma de suas características como homem de jornal:

Na contramão das Convenções Climáticas, que estimula a substituição da tecnologia nuclear até no campo energético, Putin se oferece para instalar "pequenas usinas nucleares ao longo do rio Amazonas", alegando ser  energia limpa.  Por menor que sejam essas unidades, elas geram resíduos não apenas atômicos (plutônio), como  poluem  as águas e são uma constante ameaça à biodiversidade e às     populações originárias.  (...)

Enfim, o mundo – que já está revolto sob ameaças de todos os lados, com os Estados Unidos imbuído da convicção de ter de meter-se num conflito na América Central visando a Venezuela, não quererá entrar naquilo que o populacho chama de “gelada”, com a suposição de adquirir usinas nucleares para instalação na Amazônia.

O problema dessas usinas nucleares é  que se tratam de   tecnologias diferentes das desenvolvidas  aqui. O Brasil  adquiriu, no Governo Geisel, na década de 1970, três usinas (originalmente  10)  para produção energética, por meio de um Acordo Nuclear com a Alemanha, com fins pacíficos .  Naquele instante - e hoje não é muito diferente - o Brasil tinha carência de físicos, engenheiros, técnicos e de  empresas periféricas  nacionais   para fornecer materiais de construção. Todos estavam envolvidos   no  processo de transferência da alta tecnologia nuclear. O  Acordo com os alemães  custou ao Brasil 10 bilhões de dólares.   

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