Quando se cuidou da transferência da sede do governo de Minas de Ouro Preto para uma cidade planejada, tratou-se de construí-la em um lugar saudável para os futuros habitantes. Mesmo assim, houve oposição ferrenha dos contrários à mudança. Escolhido Curral del Rei, a situação se agravou. Dizia-se que a definição fora errada, pois até os aqui nascidos tinham tendência a papo, por causa da água.
Mesmo assim, cá se instalou a metrópole. Na evolução, vieram fatos novos e terríveis, inclusive a tuberculose, uma doença terrível. Mesmo assim, a cura atraiu muita gente, que lotavam as pensões e casas de família, a partir de 1920, por aí. Mas a doença não é do passado 2024. Em 2025, registraram-se mais de 85 mil novos casos no Brasil. A doença expõe desigualdades, afetando desproporcionalmente populações vulneráveis como indígenas, pessoas em situação de rua e privados de liberdade.
A cura é possível, mas exige diagnóstico e propõe a adesão rigorosa ao trabalho prolongado, disponível gratuitamente no SUS. O Brasil regrediu no combate, falha apontada pela Organização Mundial de Saúde ao revelar a drástica elevação de casos. Mais do que uma bactéria, a tuberculose identifica desigualdades sociais.
“Até o início dos anos 2000, a cobertura vacinal no Brasil chegou a ser uma das maiores do mundo, mas, a partir de 2016, houve uma queda progressiva, atribuída à falta de vacina e, principalmente, à hesitação vacinal”. E assim os bacilos continuam no ar. Se alguém dissesse ao escritor best-seller John Green, quando foi lançado seu livro premiado, que uma década depois ele estaria às voltas com um livro sobre tuberculose, ele não teria acreditado.
Green dedicou seu mais novo livro, o nono da carreira, à doença infecciosa mais antiga da humanidade. “Este ano, milhares de médicos atenderão milhões de pacientes com tuberculose. Esses médicos serão incapazes de salvar seus pacientes, pois a cura está onde a doença não está, e a doença está onde a cura não está”, afirma Green na introdução de “Tudo é Tuberculose”, seu livro.