Manoel HyginoO autor é membro da Academia Mineira de Letras e escreve para o Hoje em Dia

Um Borges na AML

Publicado em 10/12/2025 às 06:00.

Gervásio Horta, expressão de nossa música popular, autor de composições de sucesso, era uma pessoa afável, alegre, disposta inclusive a ajudar os que dele precisassem. Sou testemunha. Deixou-nos no dia 23 de novembro, domingo, aos 88 anos, vítima de um AVC, e foi sepultado no Parque da Colina, onde nos reencontraremos. Sei que começou carreira compondo jingles para políticos, mas conquistou espaço e amizades. Autor das muito conhecidas “Rua da Bahia” e “Adeus Lagoinha”.

Chamou a atenção de Lamartine Babo, e uma de suas canções, “Sete amores”, virou música de carnaval, com arranjo de Altamiro Carrilho. Foi um dos cantores da extinta TV Itacolomi. Sua “Beijo roubado” foi gravada por Nelson Gonçalves e Lourival Pereira. Em 1972, compôs o frevo “Bloco do pega-pega”, registrado na voz de Jackson do Pandeiro. Gervásio Horta, que deixou cerca de 150 músicas, é considerado cantor/ compositor da memória de BH.

E, por falar em músicos, lembro um irmão de Lô Borges, cuja saudade cresce com a sucessão dos dias. Faço-o para recordar o nome de Marcio Milton Fragoso Borges, seu irmão, também letrista, integrante do coletivo de artistas que fundaram o Clube da Esquina e co-autor de várias composições popularizadas por Milton Nascimento e o próprio Lô.

Nascido em uma família bastante musical – o pai tocava um pouco de violão e a mãe cantava em corais e tocava piano. É o segundo de uma turma de 11 filhos, muitos deles também envolvidos com a música, e considera seu irmão mais velho, Marilton Borges, a grande influência de sua vida.

Na adolescência, mudou-se para o Edifício Levy, no centro de Belo Horizonte, onde conheceu os vizinhos Wagner Tiso e Milton Nascimento, que se tornou seu grande amigo e parceiro musical.

Márcio é autor da letra de Clube da Esquina, sua primeira parceria com o irmão Lô Borges. Posteriormente, essa canção daria nome aos dois discos e ao movimento Clube da Esquina, de cujo núcleo formador é um dos pilares e principais letristas.

Em 1996, escreveu o livro “Os sonhos não envelhecem – Histórias do Clube da Esquina”. Em 2001, publicou um livro infantojuvenil chamado “Os 7 falcões”. Continuou residindo em Belo Horizonte e dedica-se à direção do Museu Clube da Esquina, do qual é idealizador. E mais: tem sido aconselhado a disputar uma vaga na Academia Mineira de Letras.

Compartilhar
Ediminas S/A Jornal Hoje em Dia.© Copyright 2026Todos os direitos reservados.
Distribuído por
Publicado no
Desenvolvido por