Foi um acordo demorado. Aplaudido pelos leitores, Maria do Carmo Ferreira insistia em não ter publicado em livro, fato raríssimo em casos de quem escreve. E os anos passando... Finalmente Fabrício Marques e Silvana Guimarães se encarregaram de organizar a “Poesia Reunida” Livro Um - Cave Carmen, com ilustrações de Caio Borges, edição da Martelo, de Goiânia, 2024.
Após ler os comentários de Ângelo Oswaldo, J.D. Vital, Caio Boschi e Maria Esther Maciel, membros ilustres da Academia Mineira de Letras, e de seu presidente Jacyntho Lins Brandão, presidente da entidade, julguei dificílimo adiar minha pessoal manifestação, ademais com um volume com dedicatória generosa da autora em letras de plena juventude.
Ângelo já antecipara: “Premiar o livro trino é render a homenagem da Academia Mineira de Letras a uma das expressões mais vigorosas da mulher poeta e da poesia de Minas e do Brasil”. É o que também penso com alegria.
Os organizadores enfatizam: nascida em Cataguases, em 21 de dezembro de 1938, a poeta Maria do Carmo Ferreira sempre resistiu a publicação. Agora, quase nonagenária, finalmente concordou com o lançamento de sua reunida. São 231 poemas distribuídos em três livros: “Cave Carmen” (livro um), “Coram populo” (livro dois) e “Quantum satis” (livro três).
Resumo o que Fabrício Marques e Silvana Guimarães disseram da autora; neste volume que contou com Miguel Jubé na coordenação editorial: “Pouco se conhece sobre a sua vida: a poeta mantém a sete chaves as notícias a seu respeito. Dela se sabe apenas que, de Cataguases, passou por Belo Horizonte, São Paulo, Europa e Estados Unidos. De volta ao Brasil, morou 20 anos no Rio de Janeiro, trabalhando na Rádio MEC, até se aposentar. Depois, radicou-se em Niterói, onde vive.
Sua estada em Illinois, nos Estados Unidos, quando fez o mestrado em literatura Comparada, preparou-a ainda mais para o domínio da língua inglesa, revelando-a também como exímia tradutora de Emily Dickinson, sobretudo.
Em 2009, decidiu abandonar a poesia, dedicando-se a uma jornada espiritual, sob influência católica”.