Manoel HyginoO autor é membro da Academia Mineira de Letras e escreve para o Hoje em Dia

Uma preciosa cessão

Publicado em 26/09/2026 às 06:00.

Causou certa estranheza a posição assumida por um membro do governo estadual — o que é natural em um país onde milhares disputam com força total um cargo na administração pública. Um cidadão declarou peremptoriamente, há muito tempo, sua determinação pessoal de passar pela onda eleitoral sem nela se envolver.

Gente que entrou para o serviço público já saiu e sonha com um cargo mais elevado. Todos têm o direito de mudar de ideia, mas quando se trata de algo que eleva o prestígio e, quiçá, também o salário, a definição é diametralmente oposta na maioria das vezes.

O quase candidato abriu-se serenamente, admitindo que recebeu convites de várias legendas, mas explicando que essa não era uma aspiração pessoal. “Eu vejo isso com muita naturalidade. Um secretário de Saúde é sempre muito visto como um potencial político, mas não é o meu desejo pessoal. Eu falei isso com todos que me convidaram. Eu sou médico, adoro ser médico, dou plantão até hoje. Eu também adoro ser secretário, gosto de ser gestor, mas o meu ramo, minha vocação, não é esse”, destacou Fábio Baccheretti.

Desde março de 2021, Fábio é secretário da Saúde e se sente perfeitamente no lugar a que foi destinado, sendo amplamente querido pelos repórteres — inclusive nas entrevistas coletivas —, pela facilidade que propicia ao trabalho da imprensa. Em uma reunião de trabalho em setembro, na Provedoria da Santa Casa BH, na rua Álvares Maciel, ele estava a postos para tratar do exame do edital de cessão da Fhemig, vencido pela Santa Casa BH, com o objetivo de definir pormenores.

Estavam presentes ele, a cúpula da saúde municipal e o presidente da Fhemig, todos bem-dispostos a responder às dúvidas quanto à transferência da cessão e aos passos seguintes relativos ao prédio. Passar o Maria Amélia Lins à instituição filantrópica era algo de grande relevância.

Interessava a Belo Horizonte e ao médico Fábio, que só se afastou quando a pauta foi cumprida integralmente.
Milhares de brasileiros, de todas as idades, dependiam das soluções que surgiriam naquele encontro de várias unidades da área em todo o estado. O Estado de Minas, com seu contingente de pacientes — entre diagnosticados e desconhecidos —, dependia do tratamento e da cura, definidos conforme as deliberações em debate e o veredito sobre o que melhor atendesse aos interesses da brava gente da velha província. Fábio estava lá, com suas considerações e seu voto. Há gente que nasceu para ser médico e cuidar da população.

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