Quando criança, adorava assistir ao desenho animado O Fantástico Mundo de Bobby. Curiosamente, agora, ao sentar para escrever este texto, cometi um ato falho ou erro de digitação e acabei escrevendo O Fantástico Mundo do Bobo. Achei pertinente te contar isso porque o mote do desenho era justamente a imaginação de Bobby, que naquela época era povoada por pensamentos inéditos e impossíveis.
No desenho, a imaginação dele, um garotinho de quatro anos, podia transformar o cotidiano em pura aventura. Com olhos tão criativos, uma simples ida ao supermercado virava uma missão épica, e um almoço em família se transformava em um banquete medieval dentro da sua cabeça.
Apesar de ter sido exibido entre 1990 e 1998, várias daquelas imaginações aparentemente loucas se realizaram. Quem foi ao supermercado durante a pandemia que o diga. Afinal, alguém aí conseguiu explicar por que as pessoas correram para os corredores de papel higiênico logo que o confinamento foi decretado? E quem nunca precisou se defender de um tio ou tia do zap durante um almoço de domingo, quase como se estivesse usando um escudo para se proteger de bizarras notícias falsas? Mas o ponto que quero levantar vem de outro lugar.
Eu, também, tenho tido muitas ideias e projetos e sempre penso: será que isso vai dar certo? Será que estou “pegando viagem” - como disse minha trancista, Jéssica outro dia. Talvez não. Pode ser que essa ideia, esse projeto, esse desejo que nasce dentro de nós seja construído e se torne realidade se acreditarmos e investirmos nele. Sempre vai ter alguém que vai dizer que estamos no “Fantástico Mundo do Bobo” ou que é muito difícil transformar o sonho em realidade. Mas se essas pessoas estiverem erradas e seja apenas uma questão de tempo, de oportunidade e de trabalho contínuo? Eu acredito nisso. Toda ideia brilhante já foi, mesmo que brevemente, um simples delírio.
Para mim, a literatura sempre foi esse meu lugar fantástico onde posso externalizar minhas subjetividades e sonhos. A Marisa Monte chamou de “meu universo particular”. Por isso, escrevo. Para tentar dar conta de uma pergunta que persigo, mas que nunca consigo alcançar e responder, pois ela sempre escapa líquida ou em vapor e se metamorfoseia em algo novo, em outra inquietação, em outra aventura que me desafia a continuar, a sonhar, a pensar, escrever e desejar publicar.
Como Bobby transformava o cotidiano em um mundo cheio de possibilidades, a escrita me permite reinventar minhas ideias, organizar os meus pensamentos e seguir explorando esse labirinto que chamo de “eu”. E você? O que te moverá neste ano de 2026?