Janeiro. Resoluções. Planos. Matrículas. Rematrículas. Primeiro mês após a formatura. Expectativas. Alguns estão lendo isto em uma cidade diferente daquela onde residem. Alguns ainda de férias. Um ano que talvez comece preguiçoso para alguns de nós ou a pleno vapor para outros, com todos os motores ligados. Mil planos? Zero planos? Não importa.
Eu gosto muito de Ano-Novo. Até comprei uma agenda nova para já começar bem organizado. Nunca funcionou, mas sigo tentando. Às vezes, esse recomeço se apresenta, ao mesmo tempo, cheio de promessa e fingimento. A gente jura que agora vai, que agora muda, que agora aprende a fazer exercício, beber mais água, responder e-mails sem ansiedade e dizer mais “não” sem culpa. Todo janeiro tem um quê de reinvenção performática, como se o calendário tivesse o poder real de nos refazer do zero. Mas, no fundo, o Ano-Novo é menos sobre virar alguém novo e mais sobre continuar sendo quem somos, com um pouco mais de esperança ou, pelo menos, com menos cansaço acumulado.
Apesar de janeiro chegar com cheiro de caderno novo, ele também vem com a mochila emocional do ano passado inteira nas costas. As mesmas manias, os mesmos medos, os mesmos sonhos teimosos que se recusam a vencer o prazo de validade. O corpo é o mesmo. A conta bancária também. Algumas dores, inclusive, fazem questão de atravessar a virada. E, ainda assim, há algo bonito nisso. A possibilidade de tentar outra vez, mesmo sabendo que não vamos cumprir todas as resoluções. Ou talvez nenhuma. Porque a vida real não se organiza em listas numeradas nem em metas trimestrais. Ela se ajeita aos poucos, no improviso, no erro, no “vamos ver no que dá”. Saber disso é importante.
No fim das contas, talvez o Ano-Novo não nos pergunte o que vamos ser, mas apenas se vamos renovar o contrato com ele e seguir. Se insistiremos. Se teremos coragem de atravessar mais uma volta completa da Terra em torno do Sol, tentando lembrar de beber mais água, cuidar melhor do corpo, ler mais livros, comer alguma salada e, quando der, descansar.
Eu estou animado para 2026 e projeto que será um ano proveitoso para mim. Tenho convicção de que, para você, também pode ser. Que os pesares, medos e sombras dos nossos erros sejam jogados fora como a última folhinha do calendário de 2025.
Independentemente dos caminhos que se revelam diante dos seus olhos, você foi brindado com 12 meses, 52 semanas e 365 dias para conseguir responder melhor à Simone no final do ano, quando ela perguntar: “Então é Natal, e o que você fez?”. E que, quando tudo acabar, a gente consiga encará-la e oferecer uma resposta mais forte, mais honesta e cheia de tentativas, e não de desculpas ou lamentos. Embora saibamos que “eu sobrevivi” já seja, por si só, uma resposta bastante legítima para essa pergunta constrangedora de dezembro.
De toda sorte, aproveite 2026. Afinal, já se passaram seis dias e ele não vai te esperar para seguir viagem. A vida não dá nem um minuto a mais do que o combinado.