Esta semana, lendo o jornal, me deparei com um artigo interessante: “Sobe o número de crianças registradas com nomes de plantas”. Até aí, nenhuma novidade. Rosas e Margaridas estão enraizadas na nossa sociedade há muito tempo.
Mas o texto não falava dessas florzinhas já conhecidas. Falava de novas combinações, digamos, mais ousadas. O primeiro exemplo foi Orquídea Helena. Confesso que achei interessante. Essa espécie até que ornou bem.
Não sei se foi o caso de Lívia Jasmin. Os dois nomes são agradáveis de se pronunciar, mas será que formam um bom arranjo? Mas confesso que estaria menos surpreso se visse esse nome no rótulo de algum vaso em uma floricultura.
Outro nome que me surpreendeu foi Gérbera. Nunca tinha ouvido. Fui pesquisar e encontrei um buquê lindo, colorido. Mas, confesso, essas três sílabas juntas me lembraram álgebra e outras coisas complicadas que não consigo associar a um rostinho de bebê.
Violeta Gabriela, Íris Magnólia, Anne Camomila, Dalila. A lista foi colorindo e perfumando a página.
Esse negócio de dar nome é curioso. Ao mesmo tempo que é bonito e potente, também tem algo de autoritário. É decidir por alguém como ela vai se chamar pelo resto da vida. E se ela não gostar? Do primeiro nome, do nome do meio, do composto? E se for alérgica a flores? Que ironia!
Conheci muita gente que não gostava do nome de registro ou de algum sobrenome e resolveu mudar. Retificou. Se autobatizou. Escolheu como queria se apresentar ao mundo. Isso sim é poder.
Estão aí Sofia, Maria Felipa, Vitória e Estrela, assim como Aquiles, Hércules e até Jesus para confirmarem isso.
Acho tudo isso fascinante.
Antes víamos com mais frequência Dalva, Celeste, Eneida, Elzira, Geralda, Natalina. Hoje, nem tanto. Osvaldo, Claudomir, Reginaldo, Ezequiel e Celso também andam meio sumidos. Quais terão sido as referências para esses nomes?
Quando me apresento, algumas pessoas tentam contornar. Parece que chamar de Seu João implica uma intimidade ou uma formalidade que elas não querem assumir. Outras simplesmente ignoram. Às vezes corrijo, às vezes deixo passar. Depende do dia.
Uma prima, Ana Flora, tem um nome que parece poesia. Conheci uma senhora chamada Maria Gaivota e sorri quando ela se apresentou.
No fim, fiquei pensando naquela matéria do jornal. No aumento de crianças com nomes de plantas, nas Orquídeas, nas Gérberas, nas combinações improváveis que vão brotando por aí. Talvez dar nome seja isso mesmo, um gesto meio agrícola. A gente planta com intenção, escolhe com cuidado, rega com expectativa… mas não tem controle sobre o que aquela pessoa vai se tornar.
Pode ser que vire flor bonita, dessas que enfeitam a vida da gente. Pode ser que a pessoa cresça, olhe para o próprio nome e resolva podar, reinventar, recomeçar. E talvez esteja tudo bem. Porque, no fundo, entre um nome dado e um nome escolhido, o que a gente quer mesmo é florescer do nosso próprio jeito.
E você, tem cara de quê? Se não soubesse o seu nome, qual escolheria para enfeitar a sua identidade?