Há muito tempo se discute a influência positiva da fé no tratamento de doenças graves. Ter fé em Deus, num propósito maior, na própria recuperação, o amor à vida e à vontade de viver, tudo isso impacta diretamente no desfecho de uma doença.
Não me refiro à substituição do tratamento pela fé, mas sim ao acréscimo dela. Também não incluo aqui possíveis charlatanismos de pessoas oportunistas vendendo milagres, mas sim exclusivamente a fé íntima, aquela onde a própria pessoa sente que tem uma espécie de “canal direto” com um ser superior.
A questão é intrigante, muitas vezes inexplicável, além de gerar muita curiosidade e desconfiança. A ciência não explica, mas constata os efeitos positivos na cura e isso se deve ao fato de que a expectativa positiva que a fé traz ativa áreas importantes do cérebro ligadas ao bem-estar e à produção de neurotransmissores capazes de influenciar nos hormônios e sistemas imunológicos. Portanto, acreditar na atuação divina em prol da própria cura pode, de fato, gerar melhoras reais, principalmente relacionadas aos sintomas como dor, ansiedade e fadiga - há um vigor extra naqueles que creem.
Além disso, a fé costuma estar associada a benefícios indiretos relevantes. Pesquisas indicam que pessoas com prática religiosa ou espiritual tendem a apresentar menor nível de estresse, de dor, melhor controle da pressão arterial, menos depressão e maior adesão ao tratamento médico.
Outro ponto importante tem a ver com a força psíquica. Sabemos que um indivíduo com o psicológico abalado perde até uma partida de futebol, mas ninguém detém uma pessoa confiante e emocionalmente forte, e esse é outro ponto crucial da fé. O paciente que acredita na atuação de Deus em prol da sua cura lida melhor com o medo e as incertezas, e isso retira o impacto negativo das emoções que poderiam agravar ainda mais o quadro ou enfraquecê-lo psicologicamente. Quando você conversa com pacientes que tinham fé e foram curados, a fala é a mesma: “momento nenhum eu duvidei que Deus iria me salvar”. A redução do estresse é uma parte muito significativa da cura.
E quanto às pessoas que não acreditam? Elas não necessariamente “curam menos”. O que os estudiosos dizem é que fatores como esperança, suporte social, estabilidade emocional, força psíquica e confiança no tratamento fazem diferença — e esses elementos podem existir tanto em pessoas religiosas quanto não religiosas. A fé é apenas uma das formas possíveis de acessar esse estado psicológico positivo. Se ela nos ajuda tanto, por que não desenvolvê-la desde já?